Eternamente Menina

Março 07 2012
Poema Otília Martel (Menina Marota), Pintura de N. Bou (Cuba)



Imagem: Pintura de N. Bou (Cuba)
Poema: Otília Martel (Menina Marota)
publicado por Menina Marota às 19:30
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Março 06 2012
Poesia publicada semestralmente desde 2004 até ao presente
Poemas publicados, semestralmente, desde 2004, até ao presente
 
 
Publicado em 2008

Livro de Poesia publicado em 2008

 

 

Poema  

2009 - Poema "Sonhos"  a páginas 318/319

 

 

Poema
2012 - Poema "Oceano dos Sentidos", pág. 371

 

 

 

publicado por Menina Marota às 20:00

Janeiro 17 2012
Fotografia de Olga Shelegeda
 
 

Há-de chegar o dia
em que a minha tristeza há-de acabar…
Tudo finda,.. renasce e recomeça…
E esta tristeza há-de ter fim!
E então minha alegria
há-de voltar!…

Só tenho medo
que, quando ela regressar
eu esteja tão cansada de viver,
que não chegue a festejar
esta ânsia enorme de vencer!,..

Sim, porque da tristeza sempre fica
um jeito desolado…
Mas não! Eu hei-de ser alegre,
e endoidecer cá dentro
toda a amargura do passado!

Mas não tardes
a realidade
do meu sonho!…
Porque há quem morra de saudade
e dor!
E eu não sei se terei vida
que chegue
se a tua demora
for mais longa, meu amor!

 

 Poema de Judith Teixeira

 

 

 

Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar

Gentileza do Estúdio Raposa

(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

publicado por Menina Marota às 14:45

Novembro 20 2011

(Imagem Google)
 
 
 

Amanhã podia ser domingo, e

não haver sol; podia ouvir os sinos e

dizer que era apenas uma ilusão; podia

descer a rua e não encontrar o homem

que vende os jornais; podia chegar

ao largo e não ver as mulheres

em grupo a caminho da igreja, onde

vai começar a missa.

 

Amanhã podia ser domingo,

e as rua estarem vazias como se

não houvesse nada para fazer; podia não

ser domingo e todas as lojas

fecharem, podia não

ser domingo e alguém perguntar

o que é que se faz quando não

é domingo.

 

Amanhã podia ser um dia qualquer,

e não saber em que dia estou; podia

olhar para o relógio e descobrir que

os ponteiros estão parados, podia

ouvir alguém falar, e não saber de onde

vem a voz que sai da sua boca, como

se estivesse sozinho.

 

Ou então, podia abrir a porta e

ver que o domingo quer entrar; e

puxá-lo para dentro da casa, para

que lá fora fique sem domingo; e

sair para a rua num dia qualquer,

perguntando a quem passa

se viu passar o domingo.

 

 

Poema de Nuno Júdice in "As coisas mais simples",
pág.21/22 (2006)

 
 
publicado por Menina Marota às 11:30
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Setembro 28 2011

(Imagem de autor desconhecido)

 

  Acordaste-me

na sombria madrugada

em que meu coração

padecia.

 

Caminhei para ti

sonâmbula de sombras

pisando serenamente

cada lágrima

que do meu rosto corria.

 

E o meu olhar

fundiu-se num sorriso

olhando o mar

que calmamente saía

dos teus olhos

sorrindo para

mim.

 

 

 

 

 

publicado por Menina Marota às 19:30
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Setembro 23 2011

Fotografia da Rita Silva

  

 Aproveitar o tempo!
Mas o que é o tempo, que eu o aproveite?
Aproveitar o tempo!
Nenhum dia sem linha...
O trabalho honesto e superior...
O trabalho à Virgílio, à Milton...
Mas é tão difícil ser honesto ou superior!
É tão pouco provável ser Milton ou ser Virgílio!

Aproveitar o tempo!
Tirar da alma os bocados precisos — nem mais nem menos —
Para com eles juntar os cubos ajustados
Que fazem gravuras certas na história
(E estão certas também do lado de baixo que se não vê)...
Pôr as sensações em castelo de cartas, pobre China dos serões,
E os pensamentos em dominó, igual contra igual,
E a vontade em carambola difícil.
Imagens de jogos ou de paciências ou de passatempos —
Imagens da vida, imagens das vidas. Imagens da Vida.

Verbalismo...
Sim, verbalismo...
Aproveitar o tempo!
Não ter um minuto que o exame de consciência desconheça...
Não ter um acto indefinido nem factício...

Não ter um movimento desconforme com propósitos...
Boas maneiras da alma...
Elegância de persistir...

Aproveitar o tempo!
Meu coração está cansado como mendigo verdadeiro.
Meu cérebro está pronto como um fardo posto ao canto.
Meu canto (verbalismo!) está tal como está e é triste.
Aproveitar o tempo!
Desde que comecei a escrever passaram cinco minutos.
Aproveitei-os ou não?
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros minutos?!

(Passageira que viajaras tantas vezes no mesmo compartimento comigo
No comboio suburbano,
Chegaste a interessar-te por mim?
Aproveitei o tempo olhando para ti?
Qual foi o ritmo do nosso sossego no comboio andante?
Qual foi o entendimento que não chegámos a ter?
Qual foi a vida que houve nisto? Que foi isto a vida?)

Aproveitar o tempo!
Ah, deixem-me não aproveitar nada!
Nem tempo, nem ser, nem memórias de tempo ou de ser!...
Deixem-me ser uma folha de árvore, titilada por brisa,
A poeira de uma estrada involuntária e sozinha,
O vinco deixado na estrada pelas rodas enquanto não vêm outras,
O pião do garoto, que vai a parar,
E oscila, no mesmo movimento que o da alma,
E cai, como caem os deuses, no chão do Destino.

(Apostilla "Aproveitar O Tempo" de Fernando Pessoa,
in Obras Completas, I Vol. Pág. 383/384) 

 

Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar

Gentileza do Estúdio Raposa

(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

publicado por Menina Marota às 19:30
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Setembro 13 2011


Foto pessoal

 

Confesso que a minha vida foi sempre a ler e a escrever: a lápis, caneta, máquina de escrever, em cadernos, blocos, agendas, diários, cartas, postais e, mais tarde, em computadores…a ler processos, a escrever informações, a ler memorandos, fichas, a dar boas e más notícias… e entre tudo isto, escrever poesia, histórias e memórias, fracas ou boas, alegres ou tristonhas, mas sempre o que o meu coração ditava.

Este pensamento ocorreu-me enquanto sentada na grande rocha por detrás da capela, construída em cima do mar, olhava as ondas que tinha na frente.

Nos últimos anos, a reviravolta que a minha vida deu afastou-me da maioria das coisas que gostava de fazer: dos amigos e colegas que partilhavam comigo a maior parte dos dias; da actividade profissional de que gostava, dos contactos que tinha, dos hobbies que eram a minha vida… mas como digo muitas vezes, a Família está primeiro e por ela tudo se pode mudar, mesmo que isso nos altere, por completo, o futuro que sonhávamos pela frente, quer a nível profissional, quer a nível pessoal.

Falar de doenças, especialmente num local como é a blogosfera, não é fácil e, ainda por cima, se essa pessoa nos está directamente ligada.

A Esclerose Múltipla (EM), é uma doença que só muito recentemente começou a ser amplamente divulgada e, quando há dez anos atrás, tomei conhecimento da sua existência, descobri que ela não era sinal de envelhecimento, mas sim algo que iria mudar por completo a minha vida já que, a pessoa que dela padecia, me estava intimamente ligada.

Ter acesso àquilo que ela representava, para o doente e familiares, com tudo aquilo que poderia causar, não foi tarefa fácil na altura, porque as informações eram escassas e, falar dela, quase tabu para muita gente.

Até à descoberta da doença, muitas hipóteses foram aventuradas, muita caminhada de consultório em consultório foi feita, porque a nenhum profissional, perante os sintomas, lhe ocorreu mandar fazer o exame que detectava concretamente a doença: a ressonância magnética!

Tão simples como isso!

Tinha-se poupado muito tempo, muito sofrimento e talvez a hipótese de, a doença não ter afectado órgãos vitais como afectou, se as várias componentes médicas consultadas tivessem interligações entre si.

Bastava, sei hoje, que dois anos antes, num primeiro sintoma que ocorreu oftalmologicamente, o médico dessa especialidade, o mandasse para um neurologista, perante os sintomas apresentados, em vez de o mandar para casa com uma receita de óculos de… descanso.

Estas palavras e pensamentos veem a propósito de um telefonema, recebido de pessoa amiga que encontrei, casualmente, no local que é também o meu “refúgio”, há cerca de dois meses atrás que, em desespero de causa, tinha ido solicitar intervenção Divina, na Capela existente naquele local.

Sentadas à mesa do café da praia, contou-me as correrias para o hospital, para os médicos e os sintomas que tinha, que cada vez mais se agravavam; como num filme, revi, cena a cena, tudo o que tinha anteriormente passado com o JP e aconselhei-a a insistir, com algum dos médicos dela, que lhe fizessem a tal ressonância magnética, única detectora desta malfadada doença.

O telefonema resumia-se a agradecer-me o ter partilhado com ela as informações de que dispunha e o conselho que lhe tinha dado, porque tinha sido correcto: o exame tinha detectado que ela sofria de EM, que iria dar início ao tratamento hospitalar e tinha esperança de voltar a ter uma vida o mais normal possível… chorou por, segundo as suas palavras, o desespero destes últimos meses, de não saber o que tinha, ter finalmente desaparecido.

Quando desligámos, um pensamento ocorreu-me: quantas pessoas não estarão nesta circunstância por não partilharmos, nós leigos, as informações que vamos assimilando e que em casos análogos poderão servir para algo útil?

A doença, própria ou de algum familiar, não tem que ser um estigma que deve ser escondida de todos.

Partilhar conhecimentos, dados e experiências, faz parte também, de um civismo humanista, que deveremos ter em conta.

Por isso, se tiver problemas de visão, falta de forças, dores nos membros superiores ou inferiores e, sem causa aparente, cair muitas vezes, lembre-se de pedir ao seu médico para lhe mandar fazer um exame de despistagem, através de uma ressonância magnética, porque este exame lhe poderá trazer muita informação útil.

Porque a Vida é um bem precioso, deixo-vos com estas palavras… porque, afinal, é a ferramenta de que disponho para tentar ajudar alguém em iguais circunstâncias…

Obrigada por me lerem…



Texto original aqui

(quando a EM ainda não existia no meio de nós)

publicado por Menina Marota às 18:30

Setembro 11 2011

de que servem
as palavras
se não abrirem janelas
por onde o sol nos acorde
para um novo amanhecer

de que servem
as palavras
se não rasgarem caminhos
por onde avancemos juntos
na coragem de viver

de que servem
as palavras
se apenas se limitarem
a um pretexto vazio
para nada mais fazer

de que nos serve
estar vivo
se nos deixarmos morrer

 

 

Poema de Vieira da Silva*

 

*Poeta e Cantor de Intervenção Vieira da Silva partilha as suas palavras no Blogue Palavras com Sentido

 

(desligar a música de fundo do Blogue para ouvir o vídeo, p,f)

publicado por Menina Marota às 12:02
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Setembro 08 2011

 

  

Imagem de Tony Hawk

 

 

 

Há no mistério das palavras
viagens indecifráveis
desejos omitidos
tristezas alienadas
alegrias sentidas
lágrimas partilhadas.

Há no mistério da música
a alma da arte do sentir
o pilar que sustenta o enigma
de geração em geração.

O sopro a solo único bendito
do canto da alma de amar
sempre e sempre o Dó e o Fá
que bailam com o Si e o Mi
que velejam em Ré ao
Sol da esperança do Lá.

Na ternura do abraço da conjugação
palavras e música despem-se de preconceitos
e juntas
dançam a melodia do meu coração.

publicado por Menina Marota às 09:20
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Setembro 02 2011


Pintura de Estall

 

 

Quando em mim

o céu se faz nuvem

o mar

voz dos barcos que partem do cais

 

e as estrelas do firmamento

velas flutuando

ao sabor das marés

 

meus olhos

são chuva miudinha

que cai

embalando as ondas

uma a uma

na praia dos meus sonhos e

se espraiam a meu pés.

 

 

publicado por Menina Marota às 22:45
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