Livro de Poesia publicado em 2008
2009 - Poema "Sonhos" a páginas 318/319
Há-de chegar o dia
em que a minha tristeza há-de acabar…
Tudo finda,.. renasce e recomeça…
E esta tristeza há-de ter fim!
E então minha alegria
há-de voltar!…
Só tenho medo
que, quando ela regressar
eu esteja tão cansada de viver,
que não chegue a festejar
esta ânsia enorme de vencer!,..
Sim, porque da tristeza sempre fica
um jeito desolado…
Mas não! Eu hei-de ser alegre,
e endoidecer cá dentro
toda a amargura do passado!
Mas não tardes
a realidade
do meu sonho!…
Porque há quem morra de saudade
e dor!
E eu não sei se terei vida
que chegue
se a tua demora
for mais longa, meu amor!
Poema de Judith Teixeira
Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar
Gentileza do Estúdio Raposa
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Amanhã podia ser domingo, e
não haver sol; podia ouvir os sinos e
dizer que era apenas uma ilusão; podia
descer a rua e não encontrar o homem
que vende os jornais; podia chegar
ao largo e não ver as mulheres
em grupo a caminho da igreja, onde
vai começar a missa.
Amanhã podia ser domingo,
e as rua estarem vazias como se
não houvesse nada para fazer; podia não
ser domingo e todas as lojas
fecharem, podia não
ser domingo e alguém perguntar
o que é que se faz quando não
é domingo.
Amanhã podia ser um dia qualquer,
e não saber em que dia estou; podia
olhar para o relógio e descobrir que
os ponteiros estão parados, podia
ouvir alguém falar, e não saber de onde
vem a voz que sai da sua boca, como
se estivesse sozinho.
Ou então, podia abrir a porta e
ver que o domingo quer entrar; e
puxá-lo para dentro da casa, para
que lá fora fique sem domingo; e
sair para a rua num dia qualquer,
perguntando a quem passa
se viu passar o domingo.
Poema de Nuno Júdice in "As coisas mais simples",
pág.21/22 (2006)
(Imagem de autor desconhecido)
Acordaste-me
na sombria madrugada
em que meu coração
padecia.
Caminhei para ti
sonâmbula de sombras
pisando serenamente
cada lágrima
que do meu rosto corria.
E o meu olhar
fundiu-se num sorriso
olhando o mar
que calmamente saía
dos teus olhos
sorrindo para
mim.

Fotografia da Rita Silva
Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar
Gentileza do Estúdio Raposa
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Foto pessoal
Confesso que a minha vida foi sempre a ler e a escrever: a lápis, caneta, máquina de escrever, em cadernos, blocos, agendas, diários, cartas, postais e, mais tarde, em computadores…a ler processos, a escrever informações, a ler memorandos, fichas, a dar boas e más notícias… e entre tudo isto, escrever poesia, histórias e memórias, fracas ou boas, alegres ou tristonhas, mas sempre o que o meu coração ditava.
Este pensamento ocorreu-me enquanto sentada na grande rocha por detrás da capela, construída em cima do mar, olhava as ondas que tinha na frente.
Nos últimos anos, a reviravolta que a minha vida deu afastou-me da maioria das coisas que gostava de fazer: dos amigos e colegas que partilhavam comigo a maior parte dos dias; da actividade profissional de que gostava, dos contactos que tinha, dos hobbies que eram a minha vida… mas como digo muitas vezes, a Família está primeiro e por ela tudo se pode mudar, mesmo que isso nos altere, por completo, o futuro que sonhávamos pela frente, quer a nível profissional, quer a nível pessoal.
Falar de doenças, especialmente num local como é a blogosfera, não é fácil e, ainda por cima, se essa pessoa nos está directamente ligada.
A Esclerose Múltipla (EM), é uma doença que só muito recentemente começou a ser amplamente divulgada e, quando há dez anos atrás, tomei conhecimento da sua existência, descobri que ela não era sinal de envelhecimento, mas sim algo que iria mudar por completo a minha vida já que, a pessoa que dela padecia, me estava intimamente ligada.
Ter acesso àquilo que ela representava, para o doente e familiares, com tudo aquilo que poderia causar, não foi tarefa fácil na altura, porque as informações eram escassas e, falar dela, quase tabu para muita gente.
Até à descoberta da doença, muitas hipóteses foram aventuradas, muita caminhada de consultório em consultório foi feita, porque a nenhum profissional, perante os sintomas, lhe ocorreu mandar fazer o exame que detectava concretamente a doença: a ressonância magnética!
Tão simples como isso!
Tinha-se poupado muito tempo, muito sofrimento e talvez a hipótese de, a doença não ter afectado órgãos vitais como afectou, se as várias componentes médicas consultadas tivessem interligações entre si.
Bastava, sei hoje, que dois anos antes, num primeiro sintoma que ocorreu oftalmologicamente, o médico dessa especialidade, o mandasse para um neurologista, perante os sintomas apresentados, em vez de o mandar para casa com uma receita de óculos de… descanso.
Estas palavras e pensamentos veem a propósito de um telefonema, recebido de pessoa amiga que encontrei, casualmente, no local que é também o meu “refúgio”, há cerca de dois meses atrás que, em desespero de causa, tinha ido solicitar intervenção Divina, na Capela existente naquele local.
Sentadas à mesa do café da praia, contou-me as correrias para o hospital, para os médicos e os sintomas que tinha, que cada vez mais se agravavam; como num filme, revi, cena a cena, tudo o que tinha anteriormente passado com o JP e aconselhei-a a insistir, com algum dos médicos dela, que lhe fizessem a tal ressonância magnética, única detectora desta malfadada doença.
O telefonema resumia-se a agradecer-me o ter partilhado com ela as informações de que dispunha e o conselho que lhe tinha dado, porque tinha sido correcto: o exame tinha detectado que ela sofria de EM, que iria dar início ao tratamento hospitalar e tinha esperança de voltar a ter uma vida o mais normal possível… chorou por, segundo as suas palavras, o desespero destes últimos meses, de não saber o que tinha, ter finalmente desaparecido.
Quando desligámos, um pensamento ocorreu-me: quantas pessoas não estarão nesta circunstância por não partilharmos, nós leigos, as informações que vamos assimilando e que em casos análogos poderão servir para algo útil?
A doença, própria ou de algum familiar, não tem que ser um estigma que deve ser escondida de todos.
Partilhar conhecimentos, dados e experiências, faz parte também, de um civismo humanista, que deveremos ter em conta.
Por isso, se tiver problemas de visão, falta de forças, dores nos membros superiores ou inferiores e, sem causa aparente, cair muitas vezes, lembre-se de pedir ao seu médico para lhe mandar fazer um exame de despistagem, através de uma ressonância magnética, porque este exame lhe poderá trazer muita informação útil.
Porque a Vida é um bem precioso, deixo-vos com estas palavras… porque, afinal, é a ferramenta de que disponho para tentar ajudar alguém em iguais circunstâncias…
Obrigada por me lerem…
Texto original aqui
(quando a EM ainda não existia no meio de nós)
de que servem
as palavras
se não abrirem janelas
por onde o sol nos acorde
para um novo amanhecer
de que servem
as palavras
se não rasgarem caminhos
por onde avancemos juntos
na coragem de viver
de que servem
as palavras
se apenas se limitarem
a um pretexto vazio
para nada mais fazer
de que nos serve
estar vivo
se nos deixarmos morrer
Poema de Vieira da Silva*
*Poeta e Cantor de Intervenção Vieira da Silva partilha as suas palavras no Blogue Palavras com Sentido
(desligar a música de fundo do Blogue para ouvir o vídeo, p,f)
Há no mistério das palavras
viagens indecifráveis
desejos omitidos
tristezas alienadas
alegrias sentidas
lágrimas partilhadas.
Há no mistério da música
a alma da arte do sentir
o pilar que sustenta o enigma
de geração em geração.
O sopro a solo único bendito
do canto da alma de amar
sempre e sempre o Dó e o Fá
que bailam com o Si e o Mi
que velejam em Ré ao
Sol da esperança do Lá.
Na ternura do abraço da conjugação
palavras e música despem-se de preconceitos
e juntas
dançam a melodia do meu coração.

Pintura de Estall
Quando em mim
o céu se faz nuvem
o mar
voz dos barcos que partem do cais
e as estrelas do firmamento
velas flutuando
ao sabor das marés
meus olhos
são chuva miudinha
que cai
embalando as ondas
uma a uma
na praia dos meus sonhos e
se espraiam a meu pés.