Eternamente Menina

Abril 17 2005

A chuva parou repentinamente, dando lugar a um sol brilhante. Avancei pelo passeio da Praça, de olhos semicerrados, cabeça levantada, sentindo o calor no rosto.
Um grito fez-me parar, bruscamente: Cuidado!...
Abri os olhos e deparei-me com a gaivota. Planava a escassos centímetros de mim, batendo as asas com firmeza.
O espanto paralisou-me. O primeiro pensamento foi: vai atacar-me!
Mas não. Ela ficou ali parada, olhando na minha direcção, fixamente. Senti-lhe o olhar e de repente, levantou voo e rasou a minha cabeça, quase tocando, com as pontas das patas, o meu cabelo.
A cena foi no mínimo, surrealista!
Respirei fundo e olhei em volta.
Um homem (penso que o grito terá vindo dele) olhava para mim, risonho.
Um casal oriental (talvez chinês), com um sorriso indefinível no rosto, abanava a cabeça. Algumas pessoas tinham parado, a olhar a cena.


 

Uma jovem, pergunta-me com voz doce:
- Está bem? Está pálida! Achei que a gaivota a fosse atacar…
Sorri, dizendo estar tudo bem, nem sequer me tinha assustado. O espanto foi tamanho, que nem tivera tempo para isso.
Mas estremeci. Um pressentimento de que algo estava para acontecer.
“Vejo” os olhos da gaivota fixos no meu olhar. Impressionante. Nunca nada parecido me tinha sucedido!
Costumo dizer que nada acontece por acaso. Porque me terá isto acontecido?
Um pensamento “maluco” ocorre-me: - Será que a morte me vem buscar?
Sorrio.
Que disparate. Pensar na morte, num dia de sol.
Prossigo o meu caminho…
Na Rua de Ceuta, paro na montra de uma velha livraria. Apetece-me comprar um livro. Talvez aqui encontre, aqueles que emprestei e nunca me foram devolvidos. Tenho sorte!
Tento distrair o pensamento e a conversa recai, precisamente, no tema dos livros emprestados e nunca devolvidos. Afinal, não é só a mim que isso acontece!
As funcionárias da livraria eram uma simpatia e, por momentos, esqueci o ocorrido.
Eram horas de voltar ao corredor do Hospital... 

publicado por Menina Marota às 09:40

Este sistema de comentários, não me permite, responder de uma só vez a todos, como gostaria de fazer. Um dia destes arranjo um comentário do "Hloscan" e, aí sim, ficará muito mais bonita a forma de resposta a cada um, individualmente.

Mas agradeço a todos, porquem sem as vossas palavras, este Blog, não tinha incentivo para sobreviver.

Deixo um abraço a todos e um sorriso feliz, também ;-)Menina_marota
(http://eternamentemenina.blogs.sapo.pt/)
(mailto:Menina_marota@sapo.pt)
Anónimo a 27 de Abril de 2005 às 18:53

Não, Amaral...

Os meus desafios, Deus entende... Se Ele não me entender, então mais ninguém, me entende neste Mundo...

Desculpa, se não dei resposta ao teu comentário, mas há coisas que são difíceis de dizer...

Eu não temo a minha morte.

Um dia, quando morrer, sei que cumpri o meu caminho...

E não foi o meu ego, que teve receio.

Foi o meu coração.

Porque o meu caminho ainda não está cumprido .

E, quando temos a certeza, que somos necessários a alguém, que da nossa vida, depende a vida de alguém, isso ainda nos torna mais receosos, por nós e por eles.

E, se realmente, foi Deus, que olhei nos olhos, ele leu a minha alma.
E, conhece os meus receios e medos...

E, esses medos, não são por mim... nunca o seriam...

Um abraço terno e um sorriso do tamanho do mundo :-)Menina_marota
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(mailto:Menina_marota@sapo.pt)
Anónimo a 27 de Abril de 2005 às 18:49

Momentos como esse que esperienciaste são, certamente, momentos de graça!
O meu sorriso foi para o pensamento que te levou a pensar na "morte" que viria levar-te!... O teu ego não te perdoou. Brandiu logo a sua espada!
Que coisa bonita, "marota", que olhaste Deus nos olhos e não O reconheceste! Será que estiveste a "desafiá-Lo" ultimamente?...
Amaral
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Anónimo a 22 de Abril de 2005 às 18:27

Foste à Livraria Leitura? Também comprei lá alguns dos meus livros. Um dia ainda nos vamos cruzar ;)aflores
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Anónimo a 20 de Abril de 2005 às 10:12

Que emoções!A forma como descreveste a passagem da gaivota é de ficar sem ar.O destino somos nós que o fazemos e não há sinais exteriores que o possam alterar.Foste sensasional neste relato.BjsAgostinho
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Anónimo a 19 de Abril de 2005 às 01:29

Que bem soubeste traduzir em palavras as tuas sensações desses momentos!
Magnífico!António
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Anónimo a 18 de Abril de 2005 às 23:05

As gaivotas reconhecem as almas inquietas de vento e liberdade e os olhares que vêm horizontes longíquos - foste apanhada! muito bem escrito 'nina.Bjs grandeshirondelle
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Anónimo a 18 de Abril de 2005 às 22:24

Belo texto, Menina! Imagino o teu susto mas por que havia de ser um mau presságio? Acredito que seja, antes, um bom augúrio. Beijo grande, linda :)Mitsou
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Anónimo a 18 de Abril de 2005 às 22:14

A partilha de um olhar nada indiferente, um convite a um vôo ilimitado, fascinante... não, não foi a morte, minha menina... foi um momento muito especial, um olhar que tanto valor continha em si mesmo, repleto de pensamento e curiosidade... tudo para ti, uma barreira que foi quebrada entre dois seres diferentes, que se sentiram através de um olhar! =) Beijo gande***Boxexas
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(mailto:boxexas@gmail.com)
Anónimo a 18 de Abril de 2005 às 21:17

A morte a uma gaivota ...o_teco
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Anónimo a 18 de Abril de 2005 às 20:46

Sobre Mim...
Outras Eternidades