Eternamente Menina

Agosto 27 2005

 

 

Enquanto limpava a ferida do joelho, olhava as minhas mãos e pensava:
- O que faria com elas, se apanhasse o tipo que me derrubou?  - Um par de estalos! Dava-lhe um par de estalos!
Mas se fizesse isso, estava a fazer com as minhas mãos, aquilo que ele fez com as dele!
Mas ele derrubou-te. Tentou assaltar-te. E depois fugiu. Pensava, desoladamente. As tuas mãos, seriam iguais às dele, se lhe batesses!
Mas era o que ele merecia: - imaginas, se o carro que vinha atrás, passava pelo meu corpo, caído no chão? - Destruía a minha família!
- Já reparaste?
Um simples gesto, o que iria provocar?
Olho as minhas mãos sinto o meu corpo dorido mas, mais que a dor física, sinto a dor do meu interior.
Será que ele percebeu, que ao mandar aquela pancada com as mãos dele, poderia destruir uma família, a minha família?
Olho as minhas mãos... apetecia-me bater-lhe.

E recordo o Poema de Manuel Alegre:


Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

 

in  O Canto e as Armas, pág. 121

(edição 1970)

publicado por Menina Marota às 10:57

Ta fixola o teu blog, parbéns!
Bjs
zapiwZapiw
(http://zapiw.blogs.sapo.pt)
(mailto:zapiw@sapo.pt)
Anónimo a 21 de Setembro de 2005 às 21:48

Olá parabens o teu blog esta muit giro e tens bons poemas..Já agora aproveita e vá ao meu blog e veja o k eu crio com as minhas maos...Hááááá faz o teu comentario..Arnaldo
(http://amac70.blogspot.com)
(mailto:sportinng@hotmail.com)
Anónimo a 30 de Agosto de 2005 às 22:06

Keridos Amigos

As férias terminaram...
...assim como um muro de areia
se desfaz... frente a uma onda... mais ousada.

o tempo passou
sem horários...
livre...
repousante...
um pouco dorido...
e
guloso.

não foram as melhores férias
...pois a saúde falhou um pouco
e
não ajudou
como deveria,
porém foi tão bom
estar junto dos meus deuses
que até o tratamento me pareceu mais leve.

devo dizer-vos
que senti saudades
das palavras
dos desenhos
das músicas
das imagens
a que todos vocês me habituaram
(principalmente
quando era castigada
pela imobilidade da medicação)
...mas...
para o ano
levarei comigo um portátil
que irei ganhar no euro-milhões...
... por esse motivo vou desde já começar
a lançar a sorte
e escolher os números.

Keridos
tudo isto para vos dizer
que não vos esqueci
e
para avisar
que a partir de hoje
vou perder
muitas horas gulosas...
a “fazer visitas”.

Beijux létinha.

Ps. desculpem ter usado a mesma
mensagem para todos...
mas não foi possível “personalizar”
.....................................
obrigada pelo “perdão”
.....................................
sois uns amores.
létinha
</a>
(mailto:LETINHASA@HOTMAIL.COM)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 23:30

A corrente está crescendo e com ela percorro as tuas palavras pelos cantos dos teus blogs. Gostei

BeijosFriedrich
(http://babushka.blogs.sapo.pt)
(mailto:babushka@netcabo.pt)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 21:17

Este poema do M. Alegre é lindo...
O blog está mt giro!GNM
(http://www.extranumerario.blogspot.com)
(mailto:goncalonunomartins@iol.pt)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 19:56

Espero que tenha sido só o susto! E cá para nós, mesmo tendo toda a razão no que dizes, uns estalos só lhe faziam bem. Adoro esse poema. Excelente escolha ;) Beijinhos grandes e amigos. Malae*****************Malae
(http://ilhalorosae.blogs.sapo.pt/)
(mailto:catiandrea@hotmail.com)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 19:36

Os estalos que se leva no coração são sempre mais dolorosos, a esses que assaltaram uns estalos só não chegavam...
(nunca sei qual o blog que manténs mais actualizado, hoje parece que acertei) Beijinhomicas
(http://acoisadamicas@blogspot.com)
(mailto:acoisadamicas@hotmail.com)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 16:23

Uma boa tareia não lhe faria mal desde que não ficasses com as mãos feridas.Bulbucus Íbis
(http://manjedoura.blogs.sapo.pt)
(mailto:bul@bul.bul)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 14:58

De quem te derrubou, as mãos são o cérebro!! As minhas, desenharam um "Motim da palavra", depois da tua passagem, ;) Jokas e as melhoras.jorgebond'alfangeassunção
(http://tounotop.blogs.sapo.pt)
(mailto:januarioassuncao@sapo.pt)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 14:51

As mãos, salvadoras ou destruidoras, a extensão do ser que às vezes não deixam ser mais que alguém assustado, com um outro alguém ou com o alguém que habita em nós...

Gostei de te ler, cumprimentos :)Diogo Ribeiro
(http://omeunada.blogspot.com)
(mailto:zephyrium@hotmail.com)
Anónimo a 29 de Agosto de 2005 às 14:16

Sobre Mim...
Outras Eternidades