Eternamente Menina

Dezembro 30 2004

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... levantei-me cedo e andei pela cidade, a minha cidade.
Moro há anos aqui e mal a conheço.
Queria ver novos lugares, ver novas pessoas.
Andei por ruas que nunca vi, passei por pessoas desconhecidas e estive longe do velho mundo a que pertenço.
Redescobri que as pessoas desta cidade são educadas.
Redescobri a beleza das velhas calçadas, das velhas vielas, o eco entoando no silêncio da manhã.
A minha cidade tem a sua identidade, coisa que eu já tinha esquecido.
Nunca andei por ela para a conhecer verdadeiramente, andava por ela, alheia a tudo, vivendo dentro de mim.
E gostei. Esta cidade ainda tem o ar de pequena aldeia, mesmo sendo tão grande.
Falou-me uma linguagem nova e, levou-me a um passado, de momentos que eu já nem recordava.
Mas o que importa? Mesmo em busca de mim, conheci algo de novo, pude conhecer esta gente e tudo aquilo que me rodeia.
Nunca estive tão perto daquilo que já amei...
Os velhos momentos vieram falar comigo, deram um beijo e disseram adeus.
E foram tantos os momentos, tantos... Agora foram-se, e eu fiquei aqui no presente, que continua a pertencer-me.
Eu sei, estou nostálgica do passado, mas isso passa!
Uma sensação estranha tomou conta de mim.
Pensei muito em tudo que já vivi.
A saudade quis falar, mas não a quis ouvir, para que serve?
Não quero ter raiva, só quero olhar de frente e seguir.
Não quero ter medo, não quero relembrar coisas más.
Quero apenas lutar, por aquilo em que acredito e por aquilo que me espera.
Preciso amadurecer, preciso ser mais decidida, preciso amar com todo o meu ser.
Sim, amar... Amar as pequenas coisas e fazer delas essenciais.
Tento sempre esconder-me e procurar o que é seguro.
Mas o que é seguro? Esconder-me da vida?  

Para quê procurar a felicidade em sítios tão distantes, se ela está aqui ao meu lado?
Por mais que caminhe, acabo sempre no mesmo lugar.

A verdade dói mas traz consigo a força que preciso para continuar.
Hoje só quero ser feliz...


(Memórias Minhas 02/11/2003)

publicado por Menina Marota às 00:03

Olá Sete-Luas, obrigada pelas tuas palavras. Tens razão. Recordar po passado, mesmo as coisas más, ajuda-nos a fortificar o nosso eu. A mim ajudou-me a ser quem hoje sou, a lutar pelos meus filhos, pela minha casa, pela vida a que achava que tinha direito. Mas a nostalgia por vezes é maior, e a dor da solidão ainda pior. Há momentos em que queria desaparecer e recomeçar tudo de novo. Mas depois, sei que nunca o faria. Tanta coisa me une ao presente, que precisa de mim, que eu abdico de ser quem sou, e continuo em frente. Mas sou optimista. Sim. Muito e isso ajuda-me a vencer. E a lutar. Um abraço e desculpa este desabafo. Umas boas entradas para 2005, que consigas alcançar os teus sonhos. Bj e um :-))) menina_marota
(http://eternamentemenina.blogs.sapo.pt/)
(mailto:menina_marota@sapo.pt)
Anónimo a 30 de Dezembro de 2004 às 23:28

Todos nós nos arrependemos de não ter feitos coisas no nosso passado. Eu arrependo-me de muita coisas, mas depois percebo que isso não faria de mim aquilo que sou.. Talvez não fosse tão forte e tão destemida à dor de um amor, por exemplo.. As desilusões consomem-nos a todos, mas alguns são mais resistentes.
Memórias são boas e todos precisamos delas. Por vezes, quando estou sozinha, dou por mim a rir-me com as lágrimas nos olhos de saudade de coisas que vivi.. Mas é tão bom perceber que temos coisas tão boas para lembrar, para sorrir, para chorar também..
Gosto quando escreves assim.. Como que prosa! Dizes as coisas que mais me tocam quando simplificas o pensamento.
Beijo*Sete-Luas
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(mailto:sete-luas@mymailpt.com)
Anónimo a 30 de Dezembro de 2004 às 20:17

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