Eternamente Menina

Dezembro 29 2004

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Nós que nunca chorámos um único dia deixado por viver
Não iremos ter quem nos limpe as lágrimas ao lembrarmos o
que deixámos por fazer

Então um dia iremos sentar-nos sem encarar a noite e
esperar o amor passar
Aguardar as horas mais perdidas sem nunca as ver regressar

Tal como uma vez, ingénuos os amantes prometeram amar-se
num grito rouco
Nunca eles tinham adivinhado as suas palavras num breve
sufoco

Somos uma vida deixada por acidente numa jovam palma da
mão
De quem tem boca mas nunca arrisca dizer sim ou não

Tudo nos foi dado, cada dia e cada sentimento
Um vago amor, seguido do abrupto arrependimento

E fugimos das paredes que falam repetindo versos de poesia
que nós cantávamos
De coração vazio em direcção ao nada, desencontrados com o
 fim que ansiávamos


 
"De coração vazio" poema de Maria Gomes in Revista Singularidades - nº. 24 -Ano XI- Novembro 2004

 

Breve Nota: A autora nasceu em Lisboa, em Dezembro de 1989, e é estudante do ensino secundário na Escola António Arroio

publicado por Menina Marota às 17:44

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