Eternamente Menina

Dezembro 24 2004

 

 

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

 

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

 

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

 

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

 

Poema de Manuel Alegre in “O Canto e as Armas”, pág.121, (1967)

 

publicado por Menina Marota às 02:22

Não podia faltar este poema! Eu sei como adoras esta poesia e o significado dela! Se bem te conheço um dia destes sai outra, sei lá do Alexandre? eheh
KissLena
</a>
(mailto:pkena@iol.pt)
Anónimo a 27 de Dezembro de 2004 às 09:12

Quem vê por fora, às vezes não imagina a sensibilidade que vai no interior de uma pessoa. Apesar de não seguir a linha politica de Manuel Alegre (mas, gostar dos seus confrontos de ideias...) como poeta é uma referência para mim. Assim como a malograda Natália Correia. BeijoMenina_Marota
(http:///)
(mailto:menina_marota@sapo.pt)
Anónimo a 25 de Dezembro de 2004 às 09:46

Não sei porquê, mas nunca fui muito à bola com esse tal de Manuel Alegre. Não sei, parece-me que está sempre demasiado corado, como se se tivesse embebedado na primeira esquina. Mas depois quando o leio, qualquer coisa renasce e descubro que só os grandes embriagados são capazes de escrever coisas assim: tão serenas e magníficas..
Beijo*Sete-Luas
</a>
(mailto:sete-luas@mymailpt.com)
Anónimo a 24 de Dezembro de 2004 às 13:40

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