Eternamente Menina

Dezembro 20 2004

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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos.
Por isso temos braços longos para os adeuses,
mãos para colher o que foi dado,
dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrela a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos.
Por isso precisamos velar,
falar baixo, pisar leve,
ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
uma canção sobre um berço,
um verso, talvez, de amor,
uma prece por quem se vai.
Mas que essa hora não esqueça
e que por ela os nossos corações se deixem,
graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
para a esperança no milagre,
para a participação da poesia,
para ver a face da morte.
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem;
da morte apenas nascemos, imensamente.


[Vinicius de Morais in Poema de Natal ]

publicado por Menina Marota às 03:14

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