Eternamente Menina

Julho 06 2010
Imagem de Paul Boychenko
 

Da minha janela olhei a água transparente do rio e o pequeno bote acostado ao cais. Sabia que ele me esperava do outro lado mas receara sempre passar para a outra margem.

Atravessei o jardim da casa e nem reparei que somente levava vestida a longa e transparente camisa de noite.

O bote deslizou suavemente ao longo do rio transpondo a distância que nos separava.

Ansiava olhar os seus olhos e fazê-lo sentir a ternura que dos meus se desprendia.

Pegar na sua mão e com ela percorrer cada poro do meu corpo sentindo o prazer crescer dentro de mim.

Deixar que os seus lábios me tocassem e suavemente percorressem os caminhos da minha pele sentindo o frémito do desejo apossar-se do meu corpo e levar-me ao delírio de uma volúpia cada vez maior.

Levo a mão à porta e de repente o Sol inunda o aposento.

De olhos já bem abertos o sonho foge-me…

De um salto percorro, de pés nus, a distância até à janela... olho ao longe o mar que me sorri maliciosamente como que a dizer-me que os sonhos são como a espuma das ondas… dissolvem-se nos grãos de areia…

Retribuo o sorrio.

 

É bom estar viva e continuar a sonhar.

Mesmo sonhos irrealizáveis.

publicado por Menina Marota às 16:36
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