Eternamente Menina

Junho 29 2013

Há homens que se vendem por vaidade
Há homens que se vendem por dinheiro
Há até quem se venda um bocadinho
E outros que se vendem por inteiro

Uns crescem comprando a consciência
Outros fabricando um futurozinho
Para uns já perdi a paciência
Para os outros não lhes quero ser nem vizinho
 
Vivo no lado norte extremo do orgulho
Cavalheiro cavaleiro doutra idade
Quando canto, atrevo a elegância
Quando escrevo, atrevo a liberdade

Não ergo as mãos por causas sibilinas
Em curvas encobertas de encoberto;
Grito o gesto e mordo o desespero
Se vejo injustiça, aí, estou perto

Não há meio de deixar de ser assim
Nem me quereria eu doutra maneira
Esmoleres caricaturas, compromissos
Chatos em geral, gente toupeira

Besuntados, comprados, graciosos
Respeitáveis, colunáveis de carreira
Untuosos perfis, lugares manhosos
Deixem-me ser livre assim e sem coleira

E caso a caso dir-vos-ei que penso
Vento limpo soprará minha bandeira
Não me vendo por vida nem por morte
Ninguém me comprará outra carreira

Acomodei-me demais a esta obediência
Guerreiro das palavras sem viseira
Por bússola sigo a minha consciência
E tenho a minha boca por fronteira.

Pedro Barroso, in Palavras Mal Ditas,

págs. 17/18
Lua De Marfim Editora

 

publicado por Menina Marota às 15:45

Pedro Barroso um Maestro da musica portuguesa.

Belo poema numa imagem de uma beleza calma

Um beijo respeitoso
Sergio Costa a 2 de Julho de 2013 às 16:11

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