Eternamente Menina

Novembro 02 2013
Pintura de Annie Louisa Robinson Swynnerton


Considera a Igreja Católica, o dia de hoje, 2 de Novembro, dia dos fiéis defuntos.  
Não preciso de um dia estipulado para recordar aqueles que já partiram. Os que amei, aqueles por quem nutria um especial afecto ou aqueles que, por parentescos passados, fizeram parte da minha vida.
Há muito quem tenha dificuldade em falar da morte e dos que partiram. Eu não tenho.
E como dizia um poeta anónimo da cultura celta (irlandês) do século IX…
 
*”Será de manhã ou quando a noite cai?
Será em terra ou no alto mar?
Eu sei de certeza que a morte virá
Apenas não sei quando será."

Por isso, como tenho algures, no calendário do Tempo, a minha data marcada, não me é difícil falar do que me espera e dos que tiveram a sua hora chegada.

Pensei exactamente nisto, quando hoje, por uma daquelas coincidências da Vida, o passado me visitou através de fotografias familiares que regressaram, de novo, às minhas mãos.

Lembrar o passado, quem amámos, quem respeitámos ou, simplesmente, quem por nós dedicou um afecto bem sentido e nunca escondido e que, de repente, nos é lembrado, in memoriam, é sempre um processo doloroso. Mesmo que não queiramos que o seja.

Ao folhear um álbum de fotografias que, anos atrás, ofereci a uma pessoa que sempre estimei e respeitei, trouxe-me memórias fantásticas que pensei já esquecidas.

Os vínculos perdem-se, mas os afectos permanecem.

São esses afectos e as memórias de tempos passados e, afinal, nunca esquecidos, que fazem as pessoas serem lembradas sem precisarmos de dias específicos.

in memoriam a todos aqueles que partiram mas que nunca serão esquecidos.


*Poema "A Incerteza da Vida", in Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro, a págs 574 e 575.
publicado por Menina Marota às 18:00

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