Eternamente Menina

Novembro 14 2013

Adoro refastelar-me no cadeirão da secretária, pernas esticadas em cima da soleira da portada do terraço virada para o verde do arvoredo que a minha vista alcança e deixar-me levar pela música e pela leitura.

São momentos ininterrompíveis de tranquilidade que me transportam a uma placidez interior onde mergulho e deixo-me arrastar nas ondas da sonata que me envolve.

Beethoven acompanha-me na leitura do livro que escolhi para esta tarde e, apesar de já o ter lido variadíssimas vezes, a poesia não me cansa; leio e releio os mesmos poemas vezes sem conta para absorver todo o seu significado.  

A música espelha-se na minha alma e a poesia é um momento único, onde me deleito e enriqueço. 

Fecho o livro docemente. Ele sabe que voltarei.


A música continua no embalo do fim do dia…



 (desligar a música de fundo para ouvir o vídeo, p. f.)


 

Pacto

   

Do pacto que o Verbo celebrou comigo
há sempre um artigo que sempre subsiste

Deixar que as palavras apenas exprimam
o que sem palavras tentava exprimir-se

Deixá-las que rompam da noite da vida
para que suspendam a morte do dia


David Mourão-Ferreira in, Obra Poética (1948-1988) 

A págs. 373 (Editorial Presença)


publicado por Menina Marota às 22:22

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