Eternamente Menina

Junho 03 2015

expositor

 

 O evento decorreu no agradável espaço da Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada, em Lisboa. 

A apresentação coube a  Zica Caldeira Cabral que a iniciou com a leitura de o poema…

 

Nada direi de ti
nem um só pensamento.

 

Num assomo, lentamente,
meu peito desgasta-se de palavras
que se repetem textualmente

pacientes de toda a matéria

que se pressente

para lá do que se não vê
nem se imagina.

 

Entreaberto como uma janela

meu coração vislumbra o ocaso

em fragrâncias de pétalas

por entre caminhos etéreos

percorridos de mão em mão.

 

Sou quem sou.

 

Nesta forma de ser
não há espaço para intervalos
passeados entre os sentimentos
de olhos que nada vislumbram
nas profundezas da alma.

 

Rasgo meus sentidos e
abro a janela de sensações flóreas
para lá de todos os laivos de vida
que se sentem nas marés perdidas.

 

Hoje nada direi de ti.

 

Porque as palavras estão caladas
sossegadas

no fundo da alma
e aí permanecerão.

 

Este poema intitula-se "O Pedido de Casamento". É a segunda parte e o final de um dos textos incluídos no livro "Olhos de Vida", que hoje aqui nos traz.

 Há dias, recebi um telefonema da Otília. O seu propósito era dirigir-me o convite para fazer a apresentação deste seu livro: "Olhos de Vida".

 Constituiu grande surpresa para mim. Ao mesmo tempo, sensibilizou-me e orgulhou-me. Não esperava que ela escolhesse pôr tamanha responsabilidade nas minhas mãos.

 Conheço-a de há muitos anos, durante os quais, na partilha das ideias e dos sentimentos, desenvolvemos um respeito mútuo e uma amizade sólida.

 À época, eu vivia em Inglaterra, na Ilha de Wight. Apesar de separadas por 1000Km, a nossa amizade cresceu, já que não é a distância física que importa, mas, a proximidade emocional e intelectual. Através dos blogs, das mensagens e dos longos telefonemas, regulares e extremamente gratificantes, fomos aprendendo a compreender-nos. De tal maneira que, a dada altura, ela começou a chamar-me "mana do coração". Adoptamos o trato com a maior naturalidade, uma vez que traduzia, realmente, o que ambas sentíamos.

 Nós não escolhemos a nossa família biológica. Ela impõe-se-nos pelo nascimento. Aceitamo-la, umas vezes, amando-a, outras, nem por isso. No entanto, a do coração somos nós que escolhemos. Não é por acaso que vem ter connosco, mas, porque nós a merecemos e ela nos merece. Ao longo da vida, convivemos com muitas pessoas que nos são simpáticas e se tornam, até, amigas, mas, a quem não adoptamos, necessariamente, como familiares. Outros há  - muito poucos -  que entram no nosso coração, sem precisarem de bater à porta. Chegam e instalam-se, naturalmente, porque se tornam, aos poucos, parte integrante de nós. A Otília está nessa categoria.

 A franqueza, a bondade, o altruísmo genuíno – tão pouco praticado nestes tempos conturbados – a alegria, a profunda sensibilidade e espiritualidade, são algumas das diversas qualidades que sempre reconheci na Otília e que tão bem se reflectem nos seus escritos, quer na forma de poema, quer na forma de prosa.

 Este livro é disso um bom exemplo, pelo que a todos recomendo, vivamente, a sua leitura.

 

Lisboa, Sábado 23 de Maio de 2015

Zica Caldeira Cabral

 

Mesa apresentaçao

 Mais palavras foram ditas (que aqui não constam) e que foram intervaladas no decorrer da apresentação clarificando alguns pontos sobre o livro agora apresentado e as pessoas que dele fizeram parte.

Maria Clarinda, lendo poesia

Convidei  Maria Clarinda Galante, a quem carinhosamente chamo de Conchinha, para ler alguns textos e poemas e que ela aceitou com a sua natural alegria e boa vontade.  

Inesperadamente alguns dos presentes fizeram questão em ler alguns poemas associando-se ao momento:  Inês Ramos,  Catarina Lourenço, Teresa Cunha, Graça Vaz e Jorge Colaço. Desculpem se esqueci alguém.

Catarina Lourenço, ilustradora de Olhos de Vida

 À Inês Ramos o meu reconhecido e sensibilizado agradecimento pela cedência do colorido e espaçoso espaço que é a Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada que tornou possível a gratificante tarde que todos passámos.  Obrigada!

 Agradeço a todos a presença e o convívio tão agradável que tornaram a tarde, para mim, memorável. 

Zica Caldeira Cabral, a autora  e Graça Vaz

Zé Pinto-Correia

 As fotos foram tiradas pelo Mário Galante e a quem desde já agradeço.  

É pena não haver nenhuma fotografia da sala com o grupo todo.  

O "fotógrafo" encarregue disso (o meu filhote) estava mais interessado em ouvir do que a tirar fotos...   

 

Grata a TODOS pelo carinho e presença.

 

Um abraço da autora,

Otília Martel (Menina Marota)

publicado por Menina Marota às 13:23

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