Eternamente Menina

Julho 20 2015

 

Lauri Blank

 

Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,

entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:

vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:

é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago: vais surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro.

Sou eu, desde a aurora,
eu — a terra — que te procuro.

 

Eugénio de Andrade

 

publicado por Menina Marota às 09:00

Delicioso!...

Beijos, AL
A.S. a 9 de Agosto de 2015 às 14:04

Sobre Mim...
Outras Eternidades