Eternamente Menina

Novembro 23 2014

Acordei cedo.
A casa ainda vazia de ruídos está sob uma claridade quase imaterial.
Deixo-me estar na entrada da varanda olhando o horizonte e o mar quase liso de ondas está ali como que a chamar-me.  
O fresco da manhã sabe-me bem.
Deixo-me envolver nos pensamentos e abro o coração perante o universo.
O tempo às vezes é inimigo das minhas vontades. Ou será da escondida timidez que me leva a não tomar a atitude que, tantas vezes, desejo?
Escondida dentro de mim só na escrita me liberto.
O cheiro a café e o canto dos agapornes acordam-me da quase letargia em que me tinha deixado envolver.
É hora de retomar o dia e os meus afazeres.  
Involuntariamente, como numa oração, o pensamento voa-me.  
E recordo as palavras de Vinicius de Moraes:
“…
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.”

 

Uma lágrima atrevida rola no meu rosto. Não a limpo. Deixo-a correr.
A saudade mora no meu peito.

 

 (Desligar a música do blogue para ouvir o vídeo, por favor)


 

Ficará no meu coração. O José-António Moreira deixou-nos.
Grata por teres dado voz a tantos poetas e pelo serviço que prestaste à cultura.
Obrigada.
Até sempre! 

 

Ao JAM
in memoriam (1950-2014)
Obrigada por tudo o que fizeste pela Poesia.

publicado por Menina Marota às 23:21

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