Eternamente Menina

Março 05 2014

Deparei-me ocasionalmente com esta imagem e por instantes detive-me a pensar no significado do tão longínquo 5 de Outubro de 1910 nos tempos actuais.

Em 2010, na efeméride do centenário assinalada por alguns políticos Ramalho Eanes dizia o seguinte e passo a citar: 

"(…) Para que a situação não venha a dar razão aos pessimistas, para que respondamos à nossa responsabilidade social inabdicável, para que invertamos a decadência em que o país escorrega, necessário será: que à Sociedade Civil portuguesa seja dita a verdade, toda a verdade, sobre a situação actual e suas consequências, não só previsíveis mas próximas já; que não caiamos na endémica tentação de encontrar um bode expiatório, que nos afaste da responsabilidade conjunta – Sociedade Civil e poder político – de responder, com coragem, com competente trabalho, com austero consenso, com preocupado aforro, à crise, pois, perante ela, não há inocentes (…). Indispensável, também, é, subsequentemente, estabelecer a arquitectura de um grande propósito colectivo possível e mobilizante, e estabelecer as estratégias para o alcançar, definir os métodos, instrumentos e meios para as realizar, e apresentar os mecanismos, do Estado e da Sociedade Civil, para controlar a eficácia da sua execução. (…) Difícil é o desafio, mas grandes são, também, agora, as oportunidades de nos reencontrarmos com a verdade do que realmente somos, do que é o país. (…)
(fonte: Nesta Hora)

Há três situações em que só por motivos muito preocupantes é que emito opinião: religião, futebol e política. 

Respeito todas as religiões; de futebol não percebo e os políticos actuais, confesso, indignam-me. 

Uns, porque por omissão pactuam. Os outros, pelo desrespeito ao respeito que devem a Portugal e aos portugueses.

Num "mundo" de omissões e mentiras os políticos passaram a ser a voz do engano, da exclusão, do apadrinhamento, etc. etc.

E há nos portugueses um calar doentio, um medo encapuçado, um virar a cara para o lado, o não saber dizer verdadeiramente, BASTA, que me assusta e revolta.

A imagem que aqui se representa lembrou-me toda a história de Portugal, os Homens e Mulheres que lutaram pela Liberdade e que morreram por ela.

Nos dias de hoje a apatia impera. Mas, o destruir Portugal e os Portugueses, também! 

 

 

  

Há hoje um cheiro a partir,
um cheiro a não estar aqui, 
um cheiro a mar verde-pálido, 
de algas soltas, sem raízes. 
Estou no cais mas não saí. 
Tenho um passaporte inválido 
para todos os países.

Poema XIV de Maria Judite de Carvalho,
a págs. 32 de "a flor que havia na água parada"

 

 

Imagem: "Bilhete postal com ilustração historiada alusiva à revolução que deflagrou na noite de 3 de Outubro, em Lisboa, conduzindo à proclamação da República Portuguesa."

 

publicado por Menina Marota às 13:27

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