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Eternamente Menina

Eternamente Menina

31.12.04

Suícidio


Otília Martel

Talvez por ter um filho ainda adolescente e uma filha que já não o é,  mas que ainda considero a minha menina, me faz  de certa forma, estar vigilante a qualquer sinal, que me possa alertar, que algo não vai bem com eles. Esta atenção, faz-me ler  tudo o que seja relacionado com  a juventude,  e foi com essa habitual atenção, que ao ler um texto de uma jovem bloguista de 18 anos, lhe pedi autorização para o transcrever aqui.

Cada um de vós tirará deste tema a ilação que entender. Para mim, este é um "grito", a que nenhuma Mãe poderá ficar indiferente.

estrela.GIF

"Era noite. Deitei-me e rapidamente adormeci. Sonhei...foi um sonho muito estranho, mas ao mesmo tempo, muito claro. Era uma paisagem paradisiaca. Muitas árvores....verdes e frondosas. E tinha alguém. talvez uma pessoa...uma rapariga. Cabelo preto curtissímo pele acinzentada, olhos extremamente azuis, vestido negro que arrastava pelo chão. Derepente, apareci eu. ela olha para mim e diz:
- Não vales nada. Andas no Mundo há 18 anos praticamente e a tua vida tem sido uma desgraça. Que andas tu a fazer? ninguém te liga...há pessoas que só falta cuspirem-te na cara. Só precisam de ti para desabafar. Não percebes? Não sabes que te usam? Que não querem saber de ti para nada mais? Mesmo, NADA MAIS! Vá, deixa que continuem a tratar-te assim! E continua tu também a tratares-te mal. Não te ligues...não sejas egocêntrica. não estás cá a fazer mesmo nada. Se achares que dentro de pouco tempo não consegues mudar a tua vida......suicida-te. Suicida-te!!!
E eu, de manhã, quando acordei estava estranhamente vestida. Com um vestido arrendado, todo branco e muito comprido. As lágrimas corriam-me serenamente pelo rosto. Achei que não conseguia mudar a minha vida e....suicidei-me!"

Texto  extraído de  http://cabecanalua.blogs.sapo.pt/   publicado em 29 de Novembro de 2004

 

 

30.12.04

Onde Você Vê


Otília Martel

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo para se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria
total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do
outro, a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura."



Nota: Este poema é erradamente atribuído a Fernando Pessoa, mas desconheço o seu verdadeiro autor, sendo que a parte final é de um poema de Alberto Caeiro 

 

borboleta azul

 

30.12.04

Esta manhã...


Otília Martel

Foto pessoal Miramar (original)

 

 ... levantei-me cedo e andei pela cidade, a minha cidade. 

Moro há anos aqui e mal a conheço.
Queria ver novos lugares, ver novas pessoas.
Andei por ruas que nunca vi, passei por pessoas desconhecidas e estive longe do velho mundo a que pertenço.
Redescobri que as pessoas desta cidade são educadas.
Redescobri a beleza das velhas calçadas, das velhas vielas, o eco entoando no silêncio da manhã.
A minha cidade tem a sua identidade, coisa que eu já tinha esquecido.
Nunca andei por ela para a conhecer verdadeiramente, andava por ela, alheia a tudo, vivendo dentro de mim.
E gostei. Esta cidade ainda tem o ar de pequena aldeia, mesmo sendo tão grande.
Falou-me uma linguagem nova e, levou-me a um passado, de momentos que eu já nem recordava.
Mas o que importa? Mesmo em busca de mim, conheci algo de novo, pude conhecer esta gente e tudo aquilo que me rodeia.
Nunca estive tão perto daquilo que já amei...
Os velhos momentos vieram falar comigo, deram um beijo e disseram adeus.
E foram tantos os momentos, tantos... Agora foram-se, e eu fiquei aqui no presente, que continua a pertencer-me.
Eu sei, estou nostálgica do passado, mas isso passa!
Uma sensação estranha tomou conta de mim.
Pensei muito em tudo que já vivi.
A saudade quis falar, mas não a quis ouvir, para que serve?
Não quero ter raiva, só quero olhar de frente e seguir.
Não quero ter medo, não quero relembrar coisas más.
Quero apenas lutar, por aquilo em que acredito e por aquilo que me espera.
Preciso amadurecer, preciso ser mais decidida, preciso amar com todo o meu ser.
Sim, amar... Amar as pequenas coisas e fazer delas essenciais.
Tento sempre esconder-me e procurar o que é seguro.
Mas o que é seguro? Esconder-me da vida?  

Para quê procurar a felicidade em sítios tão distantes, se ela está aqui ao meu lado?
Por mais que caminhe, acabo sempre no mesmo lugar.

A verdade dói mas traz consigo a força que preciso para continuar.
Hoje só quero ser feliz...


(Memórias Minhas 02/11/2003)

29.12.04

Um fantasma branco de nuvens e cabelos


Otília Martel

Feliz Aniversário Maria Azenha

flores1.GIF 

falo de um espelho secreto entre os meus dedos
um espelho que reflecte múltiplas imagens
um espelho que
de cada vez que alguém chama por um nome inteiro
sucede nele um tremor de terra

e o espelho quebra
ficam então os estilhaços dele
entre os meus dedos
que entraram abruptamente no meu cérebro
vejo agora e de mais perto
um rapaz com asas e sem lágrimas:

um fantasma branco de nuvens e cabelos...

(Poema de Maria Azenha) 

29.12.04

Parabéns! Blog interessante para adormecer...


Otília Martel

Nazareth McSarren (Naza)

Parabéns!

Blog interessante para adormecer...

Estas palavras surgem, num comentário (não interessa quem o faz) a um texto meu.

Confesso, que na altura sorri um pouco tristemente. Cada um é como é. E todos nós gostamos de coisas diferentes...

Eu gosto de poesia. Acalma-me. E, sobretudo, porque me distrai de tudo o resto.

Mas, sentada à mesa do jantar, envolvida no ambiente familiar, eis que, uma voz diz: "É só desgraças neste Telejornal..." e eu voltei a sorrir tristemente.

Mas a tristeza deste sorriso foi diferente. É uma tristeza por motivos reais. Pela vida de milhares de pessoas. Pelos filhos que perderam os pais. Pelos pais que perderam os filhos. Por todos aqueles que perderam familiares, amigos e os haveres porque lutaram uma vida inteira.

E é a mesma tristeza sempre que ligo a televisão e vejo que afinal o meu País não é aquele país de brandos costumes, que me levava a ter um orgulho desmedido em ser Portuguesa.

Porque afinal, somos iguais a qualquer outro país onde a corrupção impera. Onde os jogos de poder imperam. Onde existe pedófilia. Onde as mulheres e crianças são maltratadas. Onde uma simples ida à farmácia, de noite, já não é segura. Onde filhos matam as mães e, as mães matam os filhos.

Onde os telejornais, exploram indecentemente as desgraças alheias. Onde alguns jornalistas mais parecem abutres sedentos de sangue. Onde os políticos morrem, em campanhas eleitorais pela pressão a que são sujeitos. Onde o Presidente da República, três meses depois de ter colocado no Governo por sua vontade um 1º. Ministro, o faz cair, sem se perceber bem porquê.

Parabéns!

Blog interessante para adormecer...

Ainda bem...

Assim vou calma para a cama sem pensar nas desgraças que amanhã voltarei a saber...

 

 

Pintura de Nazareth McSarren (Naza)

29.12.04

A escolha do dia...


Otília Martel

visaodoMundo.GIF

 

 

 

Que voz  vem no som das ondas

que não é a voz do mar?

É a voz de alguém que nos fala,

mas que, se escutamos, cala,

por ter havido escutar.

 

E só se, meio dormindo,

sem saber de ouvir ouvimos,

que ela nos diz a esperança

a que, como uma criança

dormente, a dormir sorrimos.

 

São ilhas afortunadas,

são terras sem ter lugar,

onde o Rei mora esperando.

Mas, se vamos despertando,

cala a voz, e há só o mar.

 

 

(Fernando Pessoa in "As Ilhas Afortunadas")

29.12.04

É Noite.


Otília Martel

Autor desconhecido

 

É noite... nada vibra...nada fala...
Tudo mergulha num sonho vago e mudo
e a solidão desprende-se de tudo
qual bálsamo subtil que a noite exala.

Silêncio...estou sózinha...eu me desnudo
manifestando a dor, sem disfarçá-la.
E por adormecê-la e suavizá-la,
a noite envolve a terra, qual veludo.

Eu não quero quebrar esta magia.
Silêncio...a noite morre...é quase dia.
E eu não sei quem sou, nem onde vou.

Nada murmura...nada...tudo dorme.
A noite é para mim deserto enorme,
aonde meu destino me atirou.

 

(Memórias Minhas 14/5/2003 )

 

Imagem de Autor desconhecido

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