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Eternamente Menina

Eternamente Menina

29.12.04

Estive hoje tão distraído


Otília Martel

  Aurora.GIF

  Estive hoje tão distraído

que nem dei por ele cá ter vindo. 

Quando fui ver o Telejornal,
tinha andado de porta em porta
a expelir demos em directo

e a sarar casos crónicos

do Ministério da Saúde.

O locutor entrevistou-o,
um repórter retratou-o,
disse Olá ao Presidente

e afirmou: "O tal milagre

jamais irá realizar-se". 

Mais não disse e abalou

numa nuvem dissolvido

que me deitei a pensar

quanto valeu ao coitado

ter morrido pelo mundo

no Calvário, lá na cruz! 

 

(Poema de António Martins Gomes in Revista Singularidades)

 

29.12.04

De coração vazio


Otília Martel

 

a menina lua

 

Nós que nunca chorámos um único dia deixado por viver
Não iremos ter quem nos limpe as lágrimas ao lembrarmos o
que deixámos por fazer

Então um dia iremos sentar-nos sem encarar a noite e
esperar o amor passar
Aguardar as horas mais perdidas sem nunca as ver regressar

Tal como uma vez, ingénuos os amantes prometeram amar-se
num grito rouco
Nunca eles tinham adivinhado as suas palavras num breve
sufoco

Somos uma vida deixada por acidente numa jovam palma da
mão
De quem tem boca mas nunca arrisca dizer sim ou não

Tudo nos foi dado, cada dia e cada sentimento
Um vago amor, seguido do abrupto arrependimento

E fugimos das paredes que falam repetindo versos de poesia
que nós cantávamos
De coração vazio em direcção ao nada, desencontrados com o
 fim que ansiávamos


 "De coração vazio" poema de Maria Gomes in Revista Singularidades - nº. 24 -Ano XI- Novembro 2004

 

Breve Nota: A autora nasceu em Lisboa, em Dezembro de 1989, e é estudante do ensino secundário na Escola António Arroio

29.12.04

Pensamento da Noite...


Otília Martel

 

 

 

"Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia."
(Federico Garcia Lorca)

 

 

 

Imagem de José Marafona

29.12.04

Carta a uma amiga ausente


Otília Martel

Rumo

 

O Sol acordou brilhando no horizonte. Bateu nos vidros e, qual invasor sem intenções, invade-me o aposento com os seus leves fios clareando o negro da escuridão. Os seus reflexos são intensos, dando uma cor difusa que se reflecte nas paredes.

Penso em ti, amiga. E penso na falta que me fazem as tuas palavras serenas, doces, que muitas vezes me soltaram lágrimas silenciosas. Nelas, esquecia-me de mim, absorvendo a tua dor e esquecendo alguma minha.

O vento atrai tempestades, esse vento da noite, que derruba estrelas, vento que gela por vezes o meu corpo, vento de ira, vento que transforma um pequeno grão de areia em pedra dura... vento que sempre volta para lembrar a saudade e avivar a dor...vento que enlouquece a tempestade que se adivinha, nas ondas gigantescas deste mar que é a Vida.

O dia surgiu e tornou o silêncio negro da noite mais claro. O silêncio está sempre presente, ele envolve-nos com a sua melodia, mas é preciso saber escutá-la, tal como os nosso olhos descobrem o arco-íris...

O princípio e o fim do arco-íris é a brisa quente que me devolve a saudade de te "ouvir" aqui... numa canção doce e suave...

Onde quer que estejas, recebe o meu sorriso e o meu abraço
 
 
29.12.04

Deixe o amor vencer


Otília Martel

Ansel Adams - Birds on a Beach -

 

Todas as pessoas são pássaros livres
o segredo é não se deixar prender.
Voar rasteiro por sobre as estrelas
é a melhor forma de se viver.

Cantar para aquele que quer ouvir,
contar para aquele que quer saber
a sensação de estar liberto,
a melhor forma de ter prazer.

E quando encontra a pessoa amada
não sabe o que há-de dizer
rir, chorar e descobrir a custo
a melhor forma de se querer.

E se a tristeza lhe bate á porta
muito há a fazer,
limpe as lágrimas, abra o seu coração
e deixe o amor vencer... 
 
 
Fotografia de Ansel Adams - Birds on a Beach -
29.12.04

Praça da vida


Otília Martel

arco irís

Deixemos ir os dias dolorosos
sem mágoa.
Há que esperar dias melhores.
Esqueçamos, pois, nossas dores
recordando dias venturosos 

E se nesta praça majestosa
que é a Vida
pudessem florescer as
mais lindas flores
e na memória
jazessem nossos amores
à luz do Sol,
é coisa linda!

Da saudade que fica eu fujo,
por vezes choro
às vezes divido-me
entre querer e não querer
recordar.

Hoje acordei
estranhamente calma
com pura saudade
de alguém.

Recordei seu carinho
em cada palavra
escrita com devoção
nesta praça da vida
que é amor em contra-mão.

Por um segundo,
a saudade foi maior que tudo.
Por um segundo,
eu quis estar
a seu lado
entrando noutro mundo
onde o sonho
e a realidade
se tornam verdade. 

A vida entra em mim.
Olho o sol
através dessa praça
sinto o calor,
sinto a presença
de uma forma
só minha
inédita
cúmplice...
 
 

 

29.12.04

Se eu pudesse...


Otília Martel

 

Jane Maclean.jpg

 

Se eu pudesse atingir
a quietude das coisas simples,
a serenidade das harmonias mortas,
e dormitar na inconsciência
de tudo quanto não existe!
 
Se eu pudesse banir a melancolia,
porque me atormenta,
me afunda,
me reduz ao desespero de não saber viver!
 
Se eu pudesse perseverar em ser alegre,
fruir confiança
e reter na minha alma
sómente os momentos divinos de prazer!
 
Viver só por viver!
Nada querer além da vida,
não devassar meu eu,
e embalar-me tranquilamente
na esperança
dos meus sonhos!
 
Ah! Se eu pudesse adormecer!...
 
29.12.04

Do meu Diário de Memórias...


Otília Martel
Fui ao encontro das minhas memórias buscar cartas já apagadas pelo tempo.
Recordar é viver, dizem...
Será assim?

Tamara de Lempicka Pintura de Tamara de Lempicka


Queria ser capaz de ter as palavras certas para escrever o que me vai na alma....Mas não as tenho, sinto-me perdida no tempo e no espaço, perdida no meio da gente, no meio de ninguém...

Procuro os meus sonhos, aqueles que a ninguém confesso, procuro encontrar tudo aquilo que perdi e que nunca encontrei. Sinto,  como ontem, tudo vivo no dia de hoje preparando o amanhã...Que me espera depois da noite? Que segredo me irá revelar o tempo? Anseio por uma vida, por um sentido, por amor, por um sonho que já foi realidade.... 

Perdi-me no tempo...Perdi-me em ti.

Quero voar pelo mundo, quero conhecer o que não conheço, quero amar o que não amo.. Quero encontrar um sentido para a vida... 

Quero deixar sair o que me vai na alma...Quero... Quero ou será que na realidade não quero o que quero? Sei o que procuro sem saber o que quero...Aspiro o ar que me envolve que me lembra a ti, agarro-me à fina corrente invisivel que ainda nos liga e penso, penso no tempo, no espaço, no ontem, no hoje, no amanhã, penso no momento...

Deste-me tanto, deste-me tão pouco, deste-me o tudo e tiraste-me o nada! Sou tua. Profundamente tua, completamente tua e nada mais que tua, quero ficar contigo.Quero voltar ao passado, quero parar o tempo, o que sinto, o que receio. 

Quero que leias isto. Que saibas o quanto te amo. O quanto passo as noites em branco em busca de ti...no frio que congelou a minha alma. Quero que saibas que o tempo não passa, não mexe, não evolui.

Quero que saibas, o quanto significaste, significas e significarás para mim! Tu és parte de mim! Eu sou parte de ti. Ambos somos o todo!

Nunca te esqueças de mim...do amor que te dei. Do amor que recebi. 

Sê feliz...

 

 

 

28.12.04

A diversidade do mundo bloguista...


Otília Martel

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Este mundo dos blogs é curioso. Ainda nem sequer me passara pela cabeça começar um e, já tinha um certo "vício" em os ler. Confesso que,  inicialmente, a minha curiosidade se voltou, um pouco,  para os blogs políticos. Depois, pouco a pouco, fui entrando em blogs mais pessoais, especialmente, aqueles dedicados a poesia, uma das minhas paixões. Senti necessidade de criar uma página mais pessoal, quando o local onde regularmente escrevia ou comentava, deixou de ter um significativo interesse para mim.

 Vem este preâmbulo a propósito dum blog que casualmente descobri.

Falar dele será um pouco difícil, até porque foi uma surpresa para mim,  não tanto os textos que o compunham, mas a forma de comentários que cada tema recebia. E os verdadeiros "diálogos" que inspirava.

Que mais posso dizer-vos?

Visitem o Inconfidências e digam-me se valeu a pena...(eu acho que vale...eheheh)