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Eternamente Menina

Eternamente Menina

20.12.04

Poema de Natal


Otília Martel

 

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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos.
Por isso temos braços longos para os adeuses,
mãos para colher o que foi dado,
dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrela a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos.
Por isso precisamos velar,
falar baixo, pisar leve,
ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
uma canção sobre um berço,
um verso, talvez, de amor,
uma prece por quem se vai.
Mas que essa hora não esqueça
e que por ela os nossos corações se deixem,
graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
para a esperança no milagre,
para a participação da poesia,
para ver a face da morte.
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem;
da morte apenas nascemos, imensamente.
 

[Vinicius de Morais in Poema de Natal ]

20.12.04

Cada movimento em mim


Otília Martel

 

O sol aquece meu peito
o vento chega
ocupa o seu lugar.

As folhas caem na
busca de um voo eloquente
e
as nuvens negras
se unem para me abraçar

Um frio tímido diz "olá".
Calo-me, quieta.

Deixo-me observar
em cada movimento
de
tudo o que existe em mim
e de tudo o que não existe.

19.12.04

Nalgum lugar perdido...


Otília Martel

Na suavidade da música que toca baixinho, que melhor começo posso desejar, nesta viagem ao interior das minhas memórias?

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Olhar-te um pouco
Enquanto acaba a noite
Enquanto ainda nenhum gesto te magoa
E o mundo for aquilo que sonhares
Nesse lugar só teu

Olhar-te um pouco
Como se fosse sempre
Até ao fim do tempo, até amanhecer
E a luz deixar entrar o mundo inteiro
E o sonho se esconder

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

Enquanto dormes
Por um momento à noite
É um tempo ausente que te deixa demorar
Sem guerras nem batalhas pra vencer
Nem dias pra rasgar

Eu fico um pouco
Por dentro dos desejos
Por mil caminhos que são mastros e horizontes
Tão livres como estrelas sobre os mares
E atalhos pelos montes

Nalgum lugar perdido
Vou procurar sempre por ti
Há sempre no escuro um brilho
Um luar
Nalgum lugar esquecido
Eu vou esperar sempre por ti

 

(Nalgum lugar perdido, canta Mafalda Veiga) 

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