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Eternamente Menina

Eternamente Menina

10.01.05

Lembranças...


Otília Martel

...retiradas do baú das recordações...

 
Foto de Ricardo Tavares
 

 

Oh, meu amor,
é vão o teu desejo
de eu ficar indiferente,
calada, magoada.
O nosso amor,
o meu amor,
foi doçura,
foi loucura,

frenético,

alucinante.
Soube à aragem
de pinheiros,
à brisa do mar,
à velocidade da distância,
que percorreste sem pensar.
Esquecer-te?
Esqueceres-me?
Jamais será possível!
Quer queiras ou não,
viverás na saudade de
um Amor feito de palavras,
de sons,
do meu olhar,
no teu olhar,
de corpos suados,
de beijos molhados,
do teu corpo,
dentro do meu.
Esquecer-te não será fácil.
Esqueceres-me também não!
E sempre que a luz
vermelha se acender,
vais pensar que sou eu,
porque o teu coração,
quer queiras ou não,
lembrará sempre
esta paixão e
um Amor que foi teu.
10.01.05

Foi sómente um sonho...


Otília Martel

[Fotografia de A. Brito]

 
 

Não nos bastava
o desejo do som,
do sussurrar,
do sentir
uma voz quente,
flutuante,
imaginar
minhas mãos,
no teu corpo,
sonhar...
roçando minha
pele macia,
de encontro
à tua,
sentir teu suspiro,
levemente arquejante,
tuas palavras meigas
que me puxavam
ao desejo,
à entrega
daquele momento.

O sonho desfez-se

Abre-se uma porta,
uma luz acende.
A magia quebrou!
É clara a realidade.
Foi somente um sonho...

09.01.05

Amor vivo


Otília Martel

 Patricia Ariel

Amar! mas dum amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos arpejos,
Não sejam só delírios e desejos
Duma doida cabeça escandecida...

 Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser - e não só beijos
Dados no ar - delírios e desejos -
Mas amor... dos amores que têm vida...

 Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipá-lo nos meus braços,
Com névoa da vaga fantasia...

  Nem murchará o Sol à chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra uns débeis amores... se têm vida?

 

  Poema de Antero de Quental in “Poesias Completas”, pag. 207

 

 

Imagem de Patricia Ariel

09.01.05

A uma Passante


Otília Martel

Kees Van Dongen

 

A rua em derredor era um ruído incomum,
longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;

Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exacta.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala o frenesi que mata.

Um relâmpago e após a noite! ... Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
So te verei um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado... e o sabias demais!

 

  Charles Baudelaire in  "A uma Passante"

 

 

Arte: Kees Van Dongen

09.01.05

Moinhos de vento...


Otília Martel

 

Senhor meu, Sancho Pança enlouquecido,
Servo vencido
Na terra sonhada,
Tem a coragem da verdade nua:
Olha esta Ibéria que te foi roubada,
E que só terá paz quando for tua.

 

Ergue a fronte dobrada
E começa a façanha prometida!
Cumpre o voto da nova arremetida,
Feito aos pés de quem foi
O destemido herói
Da batalha de ser fiel à vida!

 

Nega-se a ser passiva testemunha
Do amor cobiçoso
Que os falsos namorados
Fazem crer impoluto e arrebatado
Àquela que reflecte o céu lavado
Nos olhos confiados.

 

Venha o teu grito de transfigurado:
Ai, no se muere!... E a Donzela acorda
E renega o idílio traiçoeiro.
Venha o Sancho da lança e do arado,
E a Dulcineia terá, vivo a seu lado,
O senhor D. Quixote verdadeiro!

 

PESADELO DE D. QUIXOTE

 

Sancho: ouço uma voz etérea
Que nos chama...
Ibéria, dizes tu?!... Disseste Ibéria?!
Acorda, Sancho, é ela a nossa dama!

 

Pois de quem hão-de ser estes gemidos?!
Pois de quem hão-de ser?!
Só dela, Sancho, que nos meus ouvidos
Anda o seu coração a padecer...

 

Ergue-te Sancho! Quais moinhos?! Quais?!
Ai! Pobre Sancho, que não sabes ver
Em moinhos iguais
Qual deles é só moinho de moer!...

 

[Miguel Torga, in Poemas Ibéricos (1965)]

09.01.05

ESTOU FELIZ!!!


Otília Martel
 
 

Como ainda não sei lidar muito bem com esta "novidade" do blog, casualmente, reparei nuns números... 87 artigos... 302 comentários... 1 autora... Estou Feliz!

E são vocês os autores desta minha felicidade! Sózinha... no meio de tantas letras... mas tão acompanhada!

Obrigada!

09.01.05

Beber café... ao amanhecer


Otília Martel
 

O dia amanheceu lindo! O frio não retira a beleza da praia e o prazer de passear na areia molhada.

Saboreei o meu café bem quente depois de um longo passeio com o meu pequeno, mas enérgico amigo fiel Sting (um dia vos falarei dele...).

Sózinha, no pequeno bar de praia, vendo ao longe, o mar  azul...  apeteceu-me cantar...

 

08.01.05

Pensamento...


Otília Martel

luar.gif

Nas profundezas de um oceano
Escondi minhas mágoas.

Debaixo de uma árvore
escrevi meus poemas!

E neste mundo
o que faço?

No meio de tanta guerra,
agressão,
mantenho a minha canção,
suave e doce.