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Eternamente Menina

Eternamente Menina

28.02.05

A minha alma em tons de azul


Otília Martel

almaro, azuis.jpg

 

Soltar os sentimentos é uma forma
de nos darmos a conhecer,
de extravazar ideias,
comungar pensamentos,
diluir a alma.
Não fujas da realidade,
do sol,
da vida,
da palavra oferecida.

Vem...
traz a beleza que encerras
dentro do teu pensamento,
dentro do teu coração.

Vem...
dá-me a tua mão
e recebe de mim
o coração,
alegria
paz
verdade
e paixão.

Entrega-te
serenamente,
comunga
teus pensamentos,
traz magia
onde só existe
solidão.

E,
recebe na palma da tua mão,
um coração aberto à ilusão.

 

Vem...

 

 

[25/07/2004]

 

 

Fotografia: Azuis, Almaro

27.02.05

Porque hoje é domingo...


Otília Martel
Valentine Cameron Prinsep

 Valentine Cameron Prinsep

 

A manhã está fria mas mesmo assim atrevo-me a sair.

O Sol brilha para lá  dos pinhais em direcção ao mar.

Sinto o cheiro da terra molhada e

o perfume das primeiras flores no jardim.

No parque, os gatos brincavam.

E eu digo-lhes... 

 

Bom Dia

25.02.05

O espelho da alma...


Otília Martel

[René Magritte]

 

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

 

Alberto Caeiro, "O Guardador de Rebanhos"
 (8-3-1914)


 

Num agradecimento sensibilizado, a todos os que se dignam honrar-me com a participação neste blog, deixo o meu abraço e as palavras de Fernando Pessoa.

 

24.02.05

O que é o homem para ti?


Otília Martel

[Auguste Rodin -The Kiss]

 

A pergunta surpreendeu-me. Não contava com ela tão simples, mas ao mesmo tempo tão intensa.

O que é o homem para ti?  

A primeira reacção, foi responder com o lugar comum, de que o homem é o outro lado da mulher.

Mas também é, para mim, um cúmplice de momentos a dois. O ombro amigo. Aquele que respeita o meu espaço. A minha individualidade. Aquela sensação forte de companheirismo, o estar presente em qualquer circunstância. Aquele que nos limpa as lágrimas, mesmo que não saiba porque choramos.O que olha para nós de manhã e, nos diz... bom dia, amor...

Aquele que envelhece a nosso lado, sem se importar que o nosso corpo se modifique, que as rugas apareçam no nosso rosto e os cabelos comecem a embranquecer.

Aquele que olha na rua, para um miúda gira e, nos diz: é a ti que eu amo.

O que é o homem para ti?  

O amante: aquele por quem me perco em longos devaneios, que me entrego às mais perversas sensações, que me faz sentir Mulher, cada vez que os nossos corpos suados se misturam.

Aquele que é capaz, para me seduzir, de pentear-me os cabelos, de esfregar o meu corpo com água morna, e não se envergonhar de o fazer.

O que é o homem para ti?  

O pai: que passa as noites acordado, preocupado com a febre do filho, que  suporta a música pop que o filho quer ouvir, quando ele adora jazz, que se preocupa em crescer com o filho, em gostar dos amigos que ele gosta e, acima de tudo que lhe dá toda a ternura e todo o amor do mundo.

O que é o homem para ti?  

O que me faz rir, que entende, que eu não percebo nada de futebol e, mesmo assim continua a explicar-me as regras do jogo, rindo das minhas parvoíces.

O que não gosta de politica, mas respeita aquilo que eu penso.

O que é o homem para ti?  

O Amigo, o Companheiro, o Amante, o Pai...

 

Este texto foi escrito em resposta à pergunta que me fez o arqpatricio, do blog "A guerra dos Sexos" no meu post anterior  "Conversa de Mulheres"...

 

22.02.05

Conversa de mulheres...


Otília Martel

 

Devo ter feito um ar de amuo, quando entrei no café e vi a “minha mesa” ocupada, porque o empregado sorriu, com aquele ar de matreiro, a que já estou habituada.
- Tardou, menina. A sua mesa já foi ocupada.
Acenei com a cabeça e dirigi-me ao quiosque.
Elas saem já – diz-me, num tom um pouco carinhoso a menina do balcão, enquanto eu escolhia os jornais.
Não faz mal, vou para a outra do canto – respondi-lhe num sorriso, que ela bem interpretou.
Já tínhamos conversado várias vezes, sobre a maravilha que era estar num local daqueles, gozando uma paisagem magnífica, uma música ambiente que convidava à leitura e, acima de tudo, aquilo que mais prezava, a quietude do local.
Lancei um olhar melancólico, para o meu lugar habitual. Cinco mulheres conversavam entre si. Rondariam entre os trinta e quarenta anos (mas, quem adivinha a idade de uma mulher?) Sorridentes, olhavam com interesse para a revista que uma delas tinha nas mãos. Concentrei-me na leitura, até que a voz de uma delas, me fez levantar a cabeça.
– Há coisas que uma mulher não deve fazer a um homem – a sua voz era clara, num tom, talvez um pouco irritado.
- Mas porquê? Não é teu marido?
- Que importa isso, tem que haver respeito, se eu me atrevesse a fazer o que diz aí na revista, ele ia logo dizer que eu tinha aprendido com outro…
A discussão acesa que se gerou, acabou por despertar o meu interesse. Discretamente, olhei-as e percebi a irritação no rosto da mulher que falava. Tinha levantado o tom, enquanto as outras riam e falavam entre si, frases que eu ia apanhando…
- Desculpa lá, no amor não há esse preconceito. Isso já não se usa! És ou não mulher dele? Há quantos anos estás casada? Então… Olha, eu e o João, não temos vergonha de nada…Temos cada aventura… nem te conto…
E continuaram neste tema, durante algum tempo.
Não sei a que concluões chegaram, porque o meu tempo tinha-se esgotado e eu acabei por sair, deixando-as numa conversa acesa, quebrando o silêncio habitual do local.
Esqueci o episódio, até ao momento em que entro na Internet e por coincidência, leio no Blog Cogitando, um tema deveras curioso "Boas na Cama!".
Escusado será dizer, que o fui ler!
E o meu primeiro pensamento foi: porque será que o título não é “Bons na Cama”?
E recordei a exaltação da frase daquela mulher de quase quarenta anos, com receio do marido, se pusesse em prática aquilo que vinha na revista (não imagino o que fosse…)
O receio do desconhecido, de mostrar curiosidade em descobrir coisas novas, em tomar iniciativas, em solicitar ajuda em pormenores, na maioria dos casos, faz com que uma relação entre numa rotina, bem prejudicial para o casal.
E, ocorre-me um pensamento: quantos homens, ouvindo a queixa da sua companheira, de que não iam à piscina, porque não tinham ido fazer a depilação por falta de tempo, se ofereceram para ajudar a mulher nessa "tarefa"?
Saberão eles, que essa atitude poderá gerar uma forte sensualidade entre eles?
"Boas na Cama"… é uma frase que me irrita! Como se a mulher fosse um robot manipulável! O êxtase da mulher, é o conjugar de todos os sentires adquiridos, de todos os factores que fazem explodir em si, a sensualidade e o desejo de uma fêmea. Não por padrões esotéricos, mas por desejos que finalmente se libertam e explodem, em toda a sua plenitude.
 

Este texto foi escrito num desafio ao tema do Garanho, em  http://cogitando.blogs.sapo.pt/

 

21.02.05

Os meus caminhos...


Otília Martel

 

Os meus caminhos são percorridos de uma forma suave e serena. Uma vezes séria, outras brincalhona. Mas sempre EU.

Disputar de uma forma sã, todos os desafios da minha vida, tem sido uma prioridade para mim. Afastei-me (na minha vida real) de caminhos dúbios, que não me levariam a certezas, porque o meu jogo foi e será sempre limpo!

Não é, nem nunca será, minha opção de vida, aderir a jogos sujos, alinhando em esquemas, mais ou menos perversos, de forma a impôr a minha vontade ou os meus desejos...

Por este facto e, uma vez que já referi os motivos, que me levam a tomar tal atitude, ao mentor da ideia, o Peciscas (a quem muito agradeço), informo-vos, que a partir deste momento, o meu nik, Menina Marota, não está mais a concurso.

Agradeço a todos aqueles que já votaram em mim, a prova de apreço que manifestaram. Para eles o meu abraço e o meu respeito, também.

Àqueles que transformaram uma brincadeira, numa coisa séria, o meu profundo lamento. Não é essa a minha forma de estar, nem na vida real, nem na vida virtual.

Continuarei no meu Blog, como até aqui: Igual a mim própria.

Um abraço a todos...

20.02.05

É esta a hora...


Otília Martel

 

É esta a hora perfeita em que se cala
O confuso murmurar das gentes
E dentro de nós finalmente fala
A voz grave dos sonhos indolentes.

É esta a hora em que as rosas são as rosas
Que floriram nos jardins persas
Onde Saadi e Hafiz as viram e as amaram.
É esta a hora das vozes misteriosas
Que os meus desejos preferiram e chamaram.
É esta a hora das longas conversas
Das folhas com as folhas unicamente.
É esta a hora em que o tempo é abolido
E nem sequer conheço a minha face.

 

Sophia De Mello Breyner Andresen

 

 

 

 

Cumpriu-se a vontade de um Povo...

 

20.02.05

Em tempo de eleições, vote em...


Otília Martel

 

...MIM...

E não é que eu estou a votos? Quem haveria de dizer...

 Ora aqui estou eu...

 Já em campanha...

Em tempo de eleições, vote no "blog" que melhor o compreende, que lhe dá cultura, que não se esquece do autores portugueses e, que acima de tudo, lhe proporciona momentos felizes... por isso, vá a

 

http://peciscas.blogspot.com/

 

e vote, em mim...

 

Menina_marota

 

 como o Nik com mais "pinta" da blogosfera...eheheh

 

menina.GIF  

18.02.05

Meditando antes de...


Otília Martel

S.Jorge-Portugal
A Europa jaz , posta nos cotovelos:
De oriente a Ocidente jaz , fitando ,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos , lembrando.

 O cotovelo esquerdo é recuado ;
O direito é em angulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado ;
Este diz Inglaterra onde , afastado ,
A mão sustenta , em que se apoia o rosto .

Fita com olhar 'sfíngico e fatal ,
O Ocidente , futuro do passado .

O rosto com que fita é Portugal .

 

[Mensagem by Fernando Pessoa ]

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