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Eternamente Menina

Eternamente Menina

26.04.05

A Avenida...


Otília Martel

Na avenida
sinto o cheiro
das azáleas
misturado
com a
maresia
que me
inebria,
enquanto
ouço ao
longe
o toque
da sirene
que corre
vertiginosamente
em direcção
à vida...

Através da janela
as flores do jasmim,
brancas e lilazes,
têm a percepção
que o seu odor
entra lentamente
na minha pele
branca e sardenta
e sorriem para

mim

   

 

  

Na avenida
olho lentamente
para além da neblina
que a esta hora
começa a descer
e vejo
mil rostos
olhando
na direcção
do sol poente

Sigo esses
olhares:
uns tristes,
amargurados,
outros felizes,
abençoados,
com a descoberta
que afinal
nem tudo é cinzento
nem tudo é rosa
mas podem
ter
a cor
o cheiro
a beleza simples
da flor do
jasmim.

 

25.04.05

Onde estavas tu?...


Otília Martel

Ao fazer uma busca aos meus arquivos encontrei este texto, escrito em 23 de Abril de 2004, num Passatempo de um Fórum.
A segunda parte do texto foi em resposta a um comentário escrito acerca do assunto. 

Não é um texto político. É um texto de emoções e sentimentos dedicado a uma grande Amiga que morreu de parto.

25 de abril - pintura de mural

 Onde estavas tu?...

A viagem leva-a ao mundo dos sonhos. Aqueles sonhos que quer esquecer. Navega por caminhos dúbios, sentindo a chuva escorrer-lhe pelo rosto.

Será a chuva ou serão as lágrimas que lhe molham o rosto, colando-lhe os cabelos molhados, que ela afasta, com um gesto calmo? Recorda o seu primeiro amor. O primeiro beijo. O primeiro marido. A primeira mágoa. De menina se fez mulher. De uma forma suave e ao mesmo tempo trágica.

Trágica? Não. Isso soa a drama.

E a vida dela, não foi um drama. Foi tudo menos um drama.

Porque foi real. Sentiu-a no corpo. E os dramas, são filmes. Ficção, retirada de uma mente qualquer. Mas ela estava lá. Foi tudo real.

Sentiu em Abril. O pânico de algo que ela ao princípio, não entendeu!

- Vai para casa, disseram-lhe. Fecha tudo. Olha que estás grávida.

Sozinha, abalou para casa. E lá ficou.

O rádio transmitia canções, mas ela pensava: temos uma revolução? Que irá acontecer?

Canta uma canção baixinho. Acaricia a barriga nua.

Está sossegada... aqui estás a salvo.

E ela? Estaria a salvo?

Quanto tempo passou assim?

Viajou no tempo. Na distância. Quantas viagens, depois dessa?

Aquela vez, que galgou quilómetros e quilómetros, para ficar lá, parada, sentindo a chuva cair. No seu rosto?

Talvez!

Afinal, a chuva é salgada, como o são as lágrimas.

Quantas vezes desejou voltar atrás.

Aninhar-se no colo do Pai e dizer-lhe: não me deixes crescer...

Mulher, Onde estavas tu

 

 

Não me fales em ciberespaço, fala-me do Mundo.

Onde é tão difícil ser-se Mulher. Onde a luta constante para se conquistar um espaço próprio, é comparada... à luta de titãs.

Não me fales em monitores desligados. Fala-me do Mundo desligado de afectos. Desligado de sensibilidade. Desligado da própria Vida.

Fala-me da fome que passei, por orgulho, de não pedir nada a ninguém.

Fala-me dos empregos que tive. Das noites que não dormi. Dos homens que me assediavam. Dos ódios que conquistei.

Fala-me disso tudo e eu falarei da ventura de ser Mãe.

Das lágrimas que chorei. De raiva. De amor. De dor e de orgulho.

Falar-te-ei do amor que dei, mesmo que nem tenha a certeza de ser correspondido.

Falar-te-ei de ganhar e perder. De amor e despedida.

Falar-te-ei de saudade. Falar-te-ei de Verdade.

Não me fales de bits, nem de monitores desligados.

Hoje, sorrio e pergunto:

-Onde estavas tu, em Abril, filha?

Ela sorri:

-Na tua barriga, Mãe.

Já passaram quase 30 anos e duas crianças, estavam ali, uma dentro da outra, escutando uma canção que tocava incessantemente no rádio da sala.

Não me fales em bits.

Escuta a canção e a emoção!

 

 

 

 

23.04.05

Súplica


Otília Martel
Franco Fontana
Franco Fontana
 

 

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

 

  Miguel Torga

21.04.05

Os meus outros amores...


Otília Martel

... os meus amigos mais fiéis, que me mimam quando estou triste,  que me fazem companhia quando estou doente...que me esperam junto à porta, quando estou ausente... que me fazem sorrir com as suas traquinices e que eu amo muito...

dois amigos

 Sting e Tareco - dois amigos traquinas 

zak

 Zak - bébé

zack

 Zak - Nickname: Marreta

 

Este é o  Retriever Labrador da minha filha.

Tem tanto de grande, como de meigo... e, adora bolas... é um autentico bébé...

18.04.05

Ondas...


Otília Martel

 

 

 

 

Deixo-me embalar pela música.
Fecho os olhos e sinto
o teu rosto mergulhar nas ondas do meu
cabelo.

 

As tuas mãos como plumas
percorrendo meu corpo.
Encostas-me à janela
e pressionas o teu corpo no meu.

 

Sinto uma volúpia quente
subir e fundir-se em mim.
Uma a uma, as peças vão desaparecendo
e eu estou ali,
nua, faminta, com as ondas
do meu corpo a chamarem-te ...

 

E tu vens, qual trovão em dias de
tempestade.
Para lá da janela, nada mais existe.
Somos nós, um só corpo
possuídos pelo mesmo desejo:
Amar ...

 

17.04.05

Momentos...


Otília Martel

A chuva parou repentinamente, dando lugar a um sol brilhante. Avancei pelo passeio da Praça, de olhos semicerrados, cabeça levantada, sentindo o calor no rosto.
Um grito fez-me parar, bruscamente: Cuidado!...
Abri os olhos e deparei-me com a gaivota. Planava a escassos centímetros de mim, batendo as asas com firmeza.
O espanto paralisou-me. O primeiro pensamento foi: vai atacar-me!
Mas não. Ela ficou ali parada, olhando na minha direcção, fixamente. Senti-lhe o olhar e de repente, levantou voo e rasou a minha cabeça, quase tocando, com as pontas das patas, o meu cabelo.
A cena foi no mínimo, surrealista!
Respirei fundo e olhei em volta.
Um homem (penso que o grito terá vindo dele) olhava para mim, risonho.
Um casal oriental (talvez chinês), com um sorriso indefinível no rosto, abanava a cabeça. Algumas pessoas tinham parado, a olhar a cena.

 

 

Uma jovem, pergunta-me com voz doce:
- Está bem? Está pálida! Achei que a gaivota a fosse atacar…
Sorri, dizendo estar tudo bem, nem sequer me tinha assustado. O espanto foi tamanho, que nem tivera tempo para isso.
Mas estremeci. Um pressentimento de que algo estava para acontecer.
“Vejo” os olhos da gaivota fixos no meu olhar. Impressionante. Nunca nada parecido me tinha sucedido!
Costumo dizer que nada acontece por acaso. Porque me terá isto acontecido?
Um pensamento “maluco” ocorre-me: - Será que a morte me vem buscar?
Sorrio.
Que disparate. Pensar na morte, num dia de sol.
Prossigo o meu caminho…
Na Rua de Ceuta, paro na montra de uma velha livraria. Apetece-me comprar um livro. Talvez aqui encontre, aqueles que emprestei e nunca me foram devolvidos. Tenho sorte!
Tento distrair o pensamento e a conversa recai, precisamente, no tema dos livros emprestados e nunca devolvidos. Afinal, não é só a mim que isso acontece!
As funcionárias da livraria eram uma simpatia e, por momentos, esqueci o ocorrido.
Eram horas de voltar ao corredor do Hospital... 

15.04.05

Apanhada...


Otília Martel

 

  ex-libris da tugoesfera

 

Uma cadeia de literatura surgiu na Blogosfera Portuguesa - o ex-libris da tugosfera -por iniciativa do "Barrie" de "the pink bee", a 7 de março, seguida pelo "Guy" do "non tibi siro", conferindo-lhe o sabor do sul da Europa... (palavras e imagem, gentilmente cedidas, pelo Andy)

 

E, fui apanhada por esta "onda" e a culpada, foi a Angelis,  do Pé de Vento!

Num pequeno intervalo que fiz, resolvi ler os e-mails que tinha no Sapo e, qual o meu espanto,  vejo lá este: Foste apanhada!

Esta marota da Angelis... ou Ângela Monforte, autora do livro de poemas "Palavras à Solta", onde tive a satisfação de receber uma dedicatória muito carinhosa (toma lá, ficaram todos a saber!)

A resposta ao desafio... é... Recolha do testemunho aqui S.F.F.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Sinceramente… um livro de poemas, de preferência, com imagens a condizer...

 

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
Se  vos dissesse, até coravam...eu sou uma Menina_marota... agora a sério... Quando estudava ballet, sonhei interpretar, a princesa encantada, de o "Lago dos Cisnes", de Tchaikovsky. Ainda sonho por vezes, ao ouvir essa peça... 

Qual foi o último livro que compraste?
Querem mesmo saber a verdade?   "Almada Negreiros", de Rui-Mário Gonçalves, da Editorial Caminho, que vinha com a revista Sábado e os dois últimos números de "Museus do Mundo",  uma colecção que mandei reservar, mas nem sei, qual a publicação que está a distribuí-los  (para já, vou no nº. 5)

 

Que livros estás a ler?
A reler "O Jardim" de Margueritte Duras e, os livros das colecções que indiquei anteriormente.  

 

Que livros (5) levariam para uma ilha deserta?
Finalmente, iria ler os 4 volumes de "O Don Tranquilo" de Mikhail Chólokhov, que ando há anos para ler e nunca o fiz!

Releria, "também o Cisne Morre", de Aldous Huxley, um livro que me impressionou há anos, e que também gostaria, de voltar a ler. 

Voltaria a ler "O jogo das Contas de Vidro" de Hermann Hesse.  

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Ao Peter do ConversasdeXaxa3, porque tenho uma empatia pelo seu blog.

À  Blue dos  Sentidos Ocultos,  uma menina do outro lado do Atlântico, porque adoro  a sua escrita e tenho um carinho muito especial por ela..

Ao Andy do Babushka, autor da Layout do meu Blog e por quem tenho um carinho muito especial.

 

(Em tempo: O "malandro" do  Andy, também me envolveu nestes Apanhados, mas no Nietzsche. Pensa que lhe perdoo as respostas, mas não! Terás mesmo que responder no Babushka! É o teu castigo!) 

14.04.05

Mulher


Otília Martel

[Imagem de Rogério Teruz - Freedom- oil on canvas]

freedom-rogerio-teruz-

 

 
Mulher que dás alegria,
choras, ris, amas
e,
teimosamente,
segues teu destino
trilhado por caminhos
de altos e baixos
com uma esperança
no coração.
 
Teu corpo é uma espera solitária
de orgasmos mil
plena de si
em forma de oração.
 
Mulher,
teu destino é este.
Acima de tudo
ser
MULHER!
 

(8/7/2004 )

 
 
13.04.05

Memórias...


Otília Martel

sonho1.GIF

 
Se eu não te amasse tanto ..

Não traria no peito
a mágoa da tua ausência,
a fúria incontida do mar,
o sabor a pinhal
nas tuas mãos macias.

 Não me encontrava
perdida de mim própria,
desprezando valores,
orgulhos, carácter,
e um senão
de coisas infindáveis.

Não sentiria os
teus beijos
no meu corpo quente,
o frenesim duma paixão
ardente,
a loucura do teu olhar.
 
Se eu não te amasse tanto ..
Matava a saudade no meu peito,
vivia a vida a eito,
retomava o sol o mar
em minhas mãos
e deixaria de te amar. 

 

Ah!Se eu não te amasse tanto ..

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