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Eternamente Menina

Eternamente Menina

08.04.05

Sonhos levemente eróticos


Otília Martel

Óleo de Renate Holzner .

 

... do amor que se sente, nos envolve e deleita.

Sinto o teu corpo quente envolver-me... tua boca paira suavemente no meu corpo e, sinto-o cada vez mais, devolvendo-me o calor.

Quero possuir-te...   o meu desejo é maior...sinto-te na minha pele e suspiro, baixinho.

Exalo teu cheiro, sinto o sabor da tua pele.

Suavemente perpasso a ponta dos meus dedos pelo teu corpo e sinto a convulsão.

Envolves-me ansiosamente e louca por possuir-te, arrasto-te ardendo de desejo.

Sinto a resistência do teu corpo mas, pouco a pouco, carinhosa e decidida, penetro-me em ti e embalamo-nos, numa viagem sem retorno.

Em êxtase ficamos.

O amor, começa aqui.

Não acabou.

 

 

 

Óleo de Renate Holzner

06.04.05

Ao encontro do sol...


Otília Martel
Olhei a Cidade desvirtuada. Já pouco existe da que outrora me acolheu, ainda adolescente, e da beleza que me encantava. Que resta do Porto que conheci?
 

Largo dos Leões - Porto

A lembrança do sol quente a bater-me no rosto enquanto estacionava o carro, fez com que não me apetecesse ficar naquele corredor frio.
Até porque me entristecia o olhar da jovem que "estacionara" a cadeira de rodas na minha frente e que me olhava séria.
Tentei sorrir-lhe, num sorriso tímido, algo envergonhado. Era bonita. Uns traços finos, nuns olhos negros, grandes, de longas pestanas. Os cabelos caíam-lhe pelos ombros, castanhos, sedosos.
Ela continuou a olhar para mim, e de repente diz-me:
- Está sol lá fora. Não te fazia bem passeares um pouco?
O meu coração disparou. Ela tinha lido o meu pensamento. Sorriu-me. Libertei o meu sorriso e retribui-lhe.
Ficámos as duas olhando-nos, sorrindo…
- Vai lá…
Abandonei o corredor cinzento e frio de encontro ao sol.
- Vai lá…
Encarei o sol. Como é bom senti-lo.
Ao descer a escadaria do hospital, o sol inundou o meu corpo e a minha alma.
- Vai lá…
E fui… ao encontro de uma cidade que, não sendo minha por nascimento, aprendi a amar.
Há quantos anos os meus passos não me levavam por aquelas ruas?
Não reconheço quase nada.
Aquelas ruas que eu conheci tão bem em tempos, estão completamente descaracterizadas.
O preço a pagar pela exigência de tempos modernos?
O Largo dos Leões já não é como o recordava quando o vi pela primeira vez menina e moça. Perdeu toda a sua imponência. Modernices, penso nostálgica.
Não gosto do actual.
Detive-me logo ali à entrada de Cedofeita.
A minha paixão por miniaturas deixou-me pregada à montra.
A beleza, de certas peças pequenas, deixa-me fascinada.
Que mão, que dedos, que sensibilidade consegue construir tamanha beleza?
Perco conta aos segundos que ali estive, por isso voltei para trás.
Entro na Rua Sá de Noronha. O Solar Moinho de Vento ainda ali está. Que saudades… aquela comida… a companhia… a alegria… tempos passados.
Na Rua das Carmelitas entro no meu "templo": a Livraria Lello.
A fachada neogótica sempre me impressionou mas o fascínio está no seu interior.
Sorrio para o cartaz do meu Poeta favorito.
Pessoa mantém-se impávido, alheio aos olhares que lhe deitam na subida da escadaria.
Gosto de sentir o cheiro dos livros, gosto da arquitectura, da suavidade da madeira trabalhada… gosto de relembrar os tempos em que aqui vinha e me sentava na escadaria, de nariz para o ar, admirando, até que alguém me dizia:
- Menina, não pode estar aí!
Sorria sempre, malandra.
- Pois não posso. Mas adoro!
Paguei o livro que escolhi e voltei a encarar o sol.
Não resisti à montra do início da rua.
Os meus olhos deviam de brilhar, quando entrei no corredor cinzento e frio.
Uma voz diz-me:
- Onde foste? Demoraste!
Mostrei o embrulho.
- Cometeste alguma loucura? Pelo teu olhar…
Não é tão bom cometerem-se loucuras num dia de sol?
Num relance, procuro a menina dos olhos negros.
Já não estava lá…


(Hoje recordei-me deste dia…)   

04.04.05

O jantar do Pandora's box...


Otília Martel

MM.

O mundo cibernáutico consegue espantar-me. Esta imagem foi-me gentilmente oferecida pela Rakel, do Blog  Brainstorming e do Voz Oblíqua.

A atitude sensibilizou-me e, nesta ocasião, em que vou escrever sobre um momento que, espero não ser  único, quero agradecer-lhe o prazer que foi receber esta pequena maravilha.

O jantar de aniversário do Pandora's box encheu o meu coração de alegria.

Não sou pessoa de calar os meus sentimentos. Nem os bons, nem os maus. E, esta noite de liberdade para mim, foi realmente única, porque deu-me a conhecer o outro lado deste mundo virtual. As palavras da Pandora, quase no final do jantar, mostraram-me o que pode ser este "mundo". Um mundo de pessoas maravilhosas, unidas pelas palavras e pelos sentimentos que possuem no coração.

Não consegui falar com todas as pessoas que estiverem presentes (sou tímida, eh eh). Nem cumprimentá-las, nem despedir-me. Faço-o aqui, não numa despedida, mas com a convicção de que não faltarei a um próximo encontro. Seja onde for...

Aos meus companheiros de mesa e de gargalhadas, quero agradecer aqueles momentos loucos...

À Pandora o meu agradecimento por me ter permitido estar nesta confraternização.

A todos o meu abraço.

03.04.05

O Espiríto do Senhor, recolheu-te na Sua Casa...


Otília Martel

pomba

 

E a noite desceu em Ti...Calou-se o Teu sofrimento. 

Joao Paulo II

 

O Espiríto do Senhor, recolheu-te na Sua  Casa.

 

"Ave verum corpus natum de Maria Virgine

Vere passum, immolatum in cruce pro homine

Cuius latus perforatum fluxit aqua et sanguine

Esto nobis praegustatum mortis in examine

O Iesu dulcis, o Iesu pie, o Iesu fili Mariae."

"Ave Verum Corpus Natum"

(Composto por anônimo do século XIV)

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