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Eternamente Menina

Eternamente Menina

05.09.06

O Amor e o Tempo...


Otília Martel

Tomas del amo

 

 

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

– "Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!"

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...

"Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?" Nesse momento.

Volta-se o Amor e diz com azedume:
"Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!
                      

                                                              
(Poema de António Joaquim de Castro Feijó)

Imagem de  Tomas del Amo