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Eternamente Menina

Eternamente Menina

21.07.10

Universo...


Otília Martel
Imagem de E. Amer



É neste Universo

que sinto, nas Memórias de Mim,

o renascimento da Alma em

fogo e paixão

estrelas e lágrimas

Sol e Lua

Amor e desamor

no sentir imutável da Vida

onde se constrói e destrói

cada instante.

 

É neste Universo

onde me dou, me vejo

e revejo, no sentir diáfano

de cada Estrela que partilha o

Céu da existência e comigo

comunga sentimentos serenos

onde a Poesia e a Musica

para sempre permanecerão.

 

É este o Universo da minha existência!

06.07.10

Sonhos...


Otília Martel
Imagem de Paul Boychenko
 

Da minha janela olhei a água transparente do rio e o pequeno bote acostado ao cais. Sabia que ele me esperava do outro lado mas receara sempre passar para a outra margem.

Atravessei o jardim da casa e nem reparei que somente levava vestida a longa e transparente camisa de noite.

O bote deslizou suavemente ao longo do rio transpondo a distância que nos separava.

Ansiava olhar os seus olhos e fazê-lo sentir a ternura que dos meus se desprendia.

Pegar na sua mão e com ela percorrer cada poro do meu corpo sentindo o prazer crescer dentro de mim.

Deixar que os seus lábios me tocassem e suavemente percorressem os caminhos da minha pele sentindo o frémito do desejo apossar-se do meu corpo e levar-me ao delírio de uma volúpia cada vez maior.

Levo a mão à porta e de repente o Sol inunda o aposento.

De olhos já bem abertos o sonho foge-me…

De um salto percorro, de pés nus, a distância até à janela... olho ao longe o mar que me sorri maliciosamente como que a dizer-me que os sonhos são como a espuma das ondas… dissolvem-se nos grãos de areia…

Retribuo o sorrio.

 

É bom estar viva e continuar a sonhar.

Mesmo sonhos irrealizáveis.

04.07.10

O vento da utopia


Otília Martel
(Imagem de autor desconhecido)


É primavera.


No meu coração florescem
raízes de memórias
mescladas de rosas e jasmins
no perpétuo movimento
da engrenagem do tempo.

Um leve toque
um pequeno som
distinguem-se de
tantos sentimentos
que perduram no vento
da utopia.

Breve é o sonho
que nos aproxima.

Um sorriso
dilata a artéria
desta imensa vida,
onde nada se perde,
tudo se transforma,
até a existência perdida.