Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Eternamente Menina

Eternamente Menina

28.03.18

Luz


Otília Martel

 

Tinharé Foto da minha filhota Sandra V

 Tinharé,  Sunset  - Sandra V - (a minha filhota)

 

Persigo a noite na margem proibida das trevas.
Um júbilo nocturno incendeia todos os espelhos
e sob o coração das sombras vislumbro,
em meu olhar, o mais intenso brilho.
Não sei mais o que dizer.
É tão frágil tudo o que nos pode purificar!

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013, p. 18

 

 Feliz Pascoa

 



20.03.18

Um amor


Otília Martel

Olga Sinclair

 

 

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, 
puxaste-me para os teus olhos 
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua, 
ainda apanhámos o crepúsculo. 
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar 
diferente inundava a cidade. Sentei-me 
nos degraus do cais, em silêncio. 
Lembro-me do som dos teus passos, 
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, 
e a tua figura luminosa atravessando a praça 
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, 
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, 
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha 
essa doente sensação que 
me deixaste como amada 
recordação. 


Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"
 
 
Arte: Olga Sinclair   

 

07.03.18

Conversa Sentimental


Otília Martel

 

 

No velho parque deserto e gelado
Duas formas passaram há bocado.

Com os olhos mortos e os lábios moles,
Mal se ouvem, a custo, as suas vozes.

No velho parque deserto e gelado
Dois espectros evocaram o passado.

-Recordas-te do nosso êxtase antigo?
-Por que razão acha que ainda consigo?

-Bate, ao ouvires meu nome, o coração?
Vês ainda a minha alma em sonhos? -Não

-Ah! bons tempos de prazer indizível
Unindo as nossas bocas! -É possível.

-Como era azul, o céu, e grande a esperança!
-Mas é pró negro céu que hoje se lança.

Lá caminhavam plas aveias loucas
E só a noite ouviu as suas bocas.

 

 Paul Verlaine

in, "Festas Galantes,  Poemas Saturnianos e Outros",

Assírio & Alvim

 

03.03.18

No murmúrio do vento


Otília Martel

 

A Mãe natureza a caprichar _Rui Jorge Pires

 Fotografia de  Rui Jorge Pires em Olhar D'Ouro

 

No murmúrio do vento
nas folhas que vão caindo,
sinto a brisa no olhar dos pássaros
que, por entre a claridade do dia,
vão passando.
No murmúrio do vento
recordo a infância
pássaro de asas abertas sorrindo
ao tempo nas vagas do oceano.
No murmúrio do vento
sou ar vento mar quebrando as vagas
nas areias adormecidas do teu olhar.