Eternamente Menina

Fevereiro 22 2005

 

Devo ter feito um ar de amuo, quando entrei no café e vi a “minha mesa” ocupada, porque o empregado sorriu, com aquele ar de matreiro, a que já estou habituada.
- Tardou, menina. A sua mesa já foi ocupada.
Acenei com a cabeça e dirigi-me ao quiosque.
Elas saem já – diz-me, num tom um pouco carinhoso a menina do balcão, enquanto eu escolhia os jornais.
Não faz mal, vou para a outra do canto – respondi-lhe num sorriso, que ela bem interpretou.
Já tínhamos conversado várias vezes, sobre a maravilha que era estar num local daqueles, gozando uma paisagem magnífica, uma música ambiente que convidava à leitura e, acima de tudo, aquilo que mais prezava, a quietude do local.
Lancei um olhar melancólico, para o meu lugar habitual. Cinco mulheres conversavam entre si. Rondariam entre os trinta e quarenta anos (mas, quem adivinha a idade de uma mulher?) Sorridentes, olhavam com interesse para a revista que uma delas tinha nas mãos. Concentrei-me na leitura, até que a voz de uma delas, me fez levantar a cabeça.
– Há coisas que uma mulher não deve fazer a um homem – a sua voz era clara, num tom, talvez um pouco irritado.
- Mas porquê? Não é teu marido?
- Que importa isso, tem que haver respeito, se eu me atrevesse a fazer o que diz aí na revista, ele ia logo dizer que eu tinha aprendido com outro…
A discussão acesa que se gerou, acabou por despertar o meu interesse. Discretamente, olhei-as e percebi a irritação no rosto da mulher que falava. Tinha levantado o tom, enquanto as outras riam e falavam entre si, frases que eu ia apanhando…
- Desculpa lá, no amor não há esse preconceito. Isso já não se usa! És ou não mulher dele? Há quantos anos estás casada? Então… Olha, eu e o João, não temos vergonha de nada…Temos cada aventura… nem te conto…
E continuaram neste tema, durante algum tempo.
Não sei a que concluões chegaram, porque o meu tempo tinha-se esgotado e eu acabei por sair, deixando-as numa conversa acesa, quebrando o silêncio habitual do local.
Esqueci o episódio, até ao momento em que entro na Internet e por coincidência, leio no Blog Cogitando, um tema deveras curioso "Boas na Cama!".
Escusado será dizer, que o fui ler!
E o meu primeiro pensamento foi: porque será que o título não é “Bons na Cama”?
E recordei a exaltação da frase daquela mulher de quase quarenta anos, com receio do marido, se pusesse em prática aquilo que vinha na revista (não imagino o que fosse…)
O receio do desconhecido, de mostrar curiosidade em descobrir coisas novas, em tomar iniciativas, em solicitar ajuda em pormenores, na maioria dos casos, faz com que uma relação entre numa rotina, bem prejudicial para o casal.
E, ocorre-me um pensamento: quantos homens, ouvindo a queixa da sua companheira, de que não iam à piscina, porque não tinham ido fazer a depilação por falta de tempo, se ofereceram para ajudar a mulher nessa "tarefa"?
Saberão eles, que essa atitude poderá gerar uma forte sensualidade entre eles?
"Boas na Cama"… é uma frase que me irrita! Como se a mulher fosse um robot manipulável! O êxtase da mulher, é o conjugar de todos os sentires adquiridos, de todos os factores que fazem explodir em si, a sensualidade e o desejo de uma fêmea. Não por padrões esotéricos, mas por desejos que finalmente se libertam e explodem, em toda a sua plenitude.
 

Este texto foi escrito num desafio ao tema do Garanho, em  http://cogitando.blogs.sapo.pt/

 

publicado por Otília Martel às 15:12

A Menina_Marota prometeu e cumpriu... ;-)

Efectivamente tenho que te dar razão, há muito homem por aí que tem sérias limitações no que toca ao campo sexual do casal. Desde o "há coisas que não se fazem com a mãe dos meus filhos", a outros julgamentos do género tudo contribui para a rotina e o afastar do casal, pois o sexo é uma fortíssima fonte de intimidade e cumplicidade de um casal.

Contudo o tema "Boas na cama", como poderá observar que o ler no meu blog, em nada trata a mulher como um robot... e longe de mim, de nós homens na generalidade, vai esse pensamento. No meu blog, como em outros que se associaram para o tratamento deste tema, as indicações vão todas no sentido de que uma mulher "boa na cama" não é apenas uma mulher com experiência sexual e que nos dá prazer... é muito mais que isso, se é que é sequer isso numa ínfima parte. Na verdade, tal como há homens com concepções de vida sexual dignas de uma ordem monástica, também há mulheres que, ou por preconceitos educativos, tabus religiosos e outros não desenvolvem em pleno todo o seu potencial erótico. Todo o artigo vai no sentido de rogo à Mulher que se liberte, que viva, que experimente, que sinta e que queira sentir... e que o faça connosco, homens, de igual para igual, variando o mais possível o ambiente, sendo sexualmente agressivas quando o desejem e sendo tímidas quando o queiram... todo o jogo erótico comporta de parte a parte uma míriade de sensações e papéis que podem e devem ser explorados... nunca numa perspectiva mecânica e stressante, mas sim numa perspectiva natural, relaxante e relaxada, de liberdade... um beijo.garanho
(http://cogitando.blogs.sapo.pt)
(mailto:garanho@sapo.pt)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 16:08

É e não é.Os homens na sua simplicidade de linguagem talvez resumam a conversa a um "boa na cama" sem ter a miníma intenção de ferir a sensibilidade feminina. Falo por mim, apesar de ser um assunto que não tenho o minímo interesse em comentar em público. Armando Ésse
(http://grandefabrica.blogspot.com)
(mailto:afabrica@sapo.pt)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 16:24

Curioso que escrevi algo sobre este tema, antes de vir aqui.

É que há vários tipos de homem, com h, H, o, O...Mário
(http://sabretudo.blogspot.com)
(mailto:mario.chainho@sapo.pt)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 17:17

Gostei do teu texto tanto quanto do texto do garanho. A expressão de opiniões, mesmo divergentes, é sempre interessante. Agora, a colocação de rótulos é que era escusada.
Espero que tenhas gostado da Galette:)
Beijinhos!elisa
(http://silenciofala.blogspot.com)
(mailto:elisaantunes@iol.pt)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 17:27

Tenho que dizer que adorei o teu post, por várias razões, a principal das quais a riqueza da descrição que fazes da ida ao café. Quanto ao resto do assunto tenho que admitir não fazer parte do rol de mulheres inibidas por elas próprias ou por outrém e que luto bastante mesmo, contra isso. A observação masculina das situações ainda se sobrepõe à feminina em muitas situações, infelizmente, não como igual como deveria ser... a discussão homens/mulheres como seres sexuais é um tópico que me interessa imenso, sobretudo quando se trata de quebrar barreiras que nos foram impostas pelos homens e mulheres de outrora.Noguinhas
(http://noguinhas.blogspot.com)
(mailto:Blogger.noguinhas@gmail.com)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 19:22

Obrigada pela visita.
O que vi por aqui também me agradou e já está na minha já longa lista de favoritos.Cerejinha
(http://cerejasmaduras.blogspot.com)
(mailto:cereja_madura@hotmail.com)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 19:37

Vivemos numa sociedade que padroniza gostos, atitudes, comportamentos. Portanto, essa área do relacionamneto humano, também não fica imune!ajcm
(http://peciscas.blogspot.com)
(mailto:krespus@megamail.pt)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 19:41

Permitam-me colocar aqui uma anedota, que tem algo a ver com o assunto:
"Um dia, uma ratinha teve uma ninhada de ratinhos. Alguns dias de repouso e como os alimentos começassem a faltar, foi dar uma volta e passou por uma lago. Olhou, olhou e nada. De repente passa uma mosca. Pensou: "caço a mosca e fico com mais leitinho para os meus ratinhos". E assim fez. De repente passa uma libelinha. Pensou: "caço a libelinha e fico com mais leitinho para os meus ratinhos". E comeu a libelinha. "Já tenho alimento para dar leite a dois ratinhos... mas são quatro!". Algum tempo depois passa uma abelha. Pensou: "caço a abelha e fico com mais leitinho para os meus ratinhos". E comeu a abelha. "Já tenho alimento para dar leite a três ratinhos... mas são quatro!". Olhou para o lago e viu que em cima de um nenúfar estava uma rã. "Se eu comer a rã fico com leite para os meus ratinhos, talvez até dê para três ou quatro dias", pensou. Preparou o salto e...zás. Nesse instante a rã saltou para a água, o nenúfar abanou e, a rata caiu à água.
Moral desta história... está lá no meu blog num post chamado " a rata" . Cruzar o que escrevi com o primeiro comentário. Este é a moral da amedota, o post é a moral real.jocapoga
(http://www.tabemexisto.blogspot.com/)
(mailto:jocapoga@gmail.com)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 19:59

Excelente texto!!
E excelente blog!
Muito obrigado pela visita ao meu...
Posso por um link para cá??
BeijocaZooMancer
(http://www.zoomancers.blogspot.com/)
(mailto:oblivious2002@hotmail.com)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 21:17

Venho agradecer-lhe o seu comentário e acrescentar-lhe esperar que ele saiba desenvencilhar-se da matilha. Quanto ao post estou inteiramente se acordo que não pode nem deve haver na intimidade da vida do casal qualquer tipo de constrangimentos sexuais. E nem sequer a iniciativa tem que forçosamente partir do homem, não ficará mal à sua mulher tê-la.congeminações
(http://congeminacoes.weblog.com.pt/)
(mailto:rajodoas@portugalmail.com)
Anónimo a 22 de Fevereiro de 2005 às 21:40

Sobre Mim...
Outras Eternidades