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Eternamente Menina

Eternamente Menina

03.10.13

Gin sem tónica


Otília Martel

Uma noite de inverno ruidosa que mais parecia de um filme de terror.
O meu canito Sting, tremendo, quer colo e não me larga.  
Podia ao menos ter ido para debaixo da cama como fazem os miúdos, receosos. Mas não. Agarrou-se a mim como uma lapa todo tremeliques e nem me deixou dormir.  
Com ele ao colo lá me decidi a tomar um café, cuja máquina, na kitchenette do meu quarto, ainda estava ligada.  
Não tenho por hábito beber álcool fora das refeições mas, confesso, que me apeteceu o aires coffee que o meu genro prepara primorosamente.
Madrugada dentro, acalmado o canito que adormeceu enroscado na minha cama, embalei-me nos braços da chuva e adormeci… 
Saída de um sonho completamente surrealista acordei tarde e más horas, com a chuva a bater no vidro da clarabóia do quarto.  
Respirei aliviada. O telhado estava intacto!

 

Jimmy Lawlor
Jimmy Lawlor

 

 

Gin sem tónica


Uma garrafa de gin
estava a preocupar
o pescador
a garoupa e o rodovalho
não tinham aparecido
pró jantar
que fazer?
telefonou ao ministro
da Pesca e do trabalho
mas o ministro
estava a trabalhar
na cama
com a mulher
foi então
que a garrafa de gin
sugeriu discretamente
porque não
telefonar ao presidente?
telefonaram
o presidente da nação
estava em acção
na cama
com a mulher
nessa altura
até que enfim
encontraram a solução
o pescador
foi para a cama
com a garrafa de gin

Mário-Henrique Leiria, in "Contos do Gin-Tonic"
Editores Estampa (1973)

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