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Eternamente Menina

Eternamente Menina

Em tempo de Primavera

04.04.20, Otília Martel
AMANHECER   Fiz-me amanhecer na penumbra da palavra  adormecida, no espanto de uma realidade anunciada.   Fiz-me lua cheia na serenidade do olhar em lágrimas sorvidas de alegria, no encantamento do enlaço que, por magia, fez nascer Primavera  no ocaso do dia. Pintura de Sonia von Walter

O que dói às aves

11.03.20, Otília Martel
  E chega um dia em que reconhecemos finalmente a injustiça das palavras - exactamente as mesmas para quem vai e para quem fica   um dia em que não há mais passado para contar nem mais futuro para viver   apenas uma velha cantiga de embalar uma casa desaparecida e este limbo ocasional onde o corpo espera que anoiteça   Alice Vieira  

Casulo mágico

17.06.19, Otília Martel
O dia amanheceu cinzento. Não gosto de dias assim. Fico com pensamentos sombrios e torno-me sombria como o dia. E penso que a vida, inúmeras vezes, é como um dia sem sol. E lembranças voam no meu espirito. Não é só o sol que a vida, tantas vezes, nos tira. Vamos perdendo, fisicamente, familiares e amigos. Vamos perdendo referências que nos inundavam a alma; alegravam a vida tornando-a melhor. Escuto a música que toca numa dependência da casa. Ouvindo-a, sentimentos controversos (...)

Amor Canino

11.03.19, Otília Martel
Cabias numa caixa de sapatos a primeira vez que te vi e te trouxe para casa. Tão pequenino. Tão terno e ao mesmo tempo tão traquina. Não foi fácil disfarçar pés de alguns móveis mordidos. De braços de cadeiras roídos. E tapetes fora do sítio. Tudo servia para teu brinquedo. O velho e grande Farrusco acolheu-te tão bem! Tornaram-se grandes amigos e quando ele foi ao Veterinário e não conseguimos que voltasse tu correste a casa em sua busca. Dias e dias triste que mal comias. (...)

Da minha janela

15.02.19, Otília Martel
Muito do que me faz gostar do local onde vivo e a que chamo carinhosamente de “aldeia” (apesar de ser Vila desde 1987) são os sons da natureza que me despertam os sentidos e que, nas grandes e barulhentas cidades, não se ouvem. Logo pela manhã ouço os galos vizinhos cantarem estridentemente. Tal como a passarada em coro ao encetarem grandes e rasos voos que descortino da minha janela a saírem da vegetação onde fazem os ninhos. Os gritos das gaivotas que, cada vez mais, se fazem (...)

Parabéns, Menino Jesus...

24.12.18, Otília Martel
Imagem pessoal   NATIVIDADE   Arde no coração da noite A ritual fogueira que anuncia O eterno milagre Do nascimento. Batida pelo vento, Que da cinza das brasas faz semente, É um sol sem firmamento, Directamente Aceso E preso À terra Por mãos humanas. De raízes profanas, Lume de vida a bafejar a vida, O seu calor aquece A única certeza que merece Ser aquecida... (Vila Cova, 24 de Dezembro de 1958)   de, Miguel Torga in, Dário VIII, a págs 178    

ATM - Multibanco da SIBS - Dignos de confiança?

26.05.18, Otília Martel
Pois… a máquina diz “retire o seu dinheiro”.  A esta ordem, espontaneamente, a nossa mão é atraída para esse movimento e, espanto dos espantos, vê saírem 3 notas de 10 €uros quando tinham sido pedidos 200 €uros. A máquina, talvez porque se aproximava a hora do almoço, “comeu” 170 €uros. Falta dizer que a máquina movimentava 200 €uros em notas de 10 €uros que não conseguiram passar pela respectiva ranhura! Mas, da conta bancária, “desapareceram”, de (...)

Amar devagar...

15.05.18, Otília Martel
amo.te devagar ao pequeno almoço servido com chá torradas e uma colher de desejo doce Gabriela Rocha Martins in .delete.me. inverno 2008, a págs. 20 Ilustração de John Gannam