Eternamente Menina

Abril 03 2018

Lidia Wylangowska

 

VENTO DE PRIMAVERA

 

Neste cheiro
de maresia
nestas ondas
de prata
neste vento
que rebela
meus cabelos
de rajada.

Areia que o mar
envolve
sob o céu azul
de nuvens
gaivotas ao vento
esvoaçam
neste tempo frio
de chuva.

Serenos
desejo os dias
na leve brisa
das marés
sonhando
com sol abrasador
em tempo de Primavera!

 

 


Imagem: Arte de Lidia Wylangowska

 

publicado por Otília Martel às 21:15

Março 28 2018

 

Tinharé Foto da minha filhota Sandra V

 Tinharé,  Sunset  - Sandra V - (a minha filhota)

 

Persigo a noite na margem proibida das trevas.
Um júbilo nocturno incendeia todos os espelhos
e sob o coração das sombras vislumbro,
em meu olhar, o mais intenso brilho.
Não sei mais o que dizer.
É tão frágil tudo o que nos pode purificar!

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013, p. 18

 

 Feliz Pascoa

 



publicado por Otília Martel às 21:06

Março 20 2018

Olga Sinclair

 

 

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão, 
puxaste-me para os teus olhos 
transparentes como o fundo do mar para os afogados. Depois, na rua, 
ainda apanhámos o crepúsculo. 
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar 
diferente inundava a cidade. Sentei-me 
nos degraus do cais, em silêncio. 
Lembro-me do som dos teus passos, 
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas, 
e a tua figura luminosa atravessando a praça 
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é, 
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem estares ali, 
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha 
essa doente sensação que 
me deixaste como amada 
recordação. 


Nuno Júdice, in "A Partilha dos Mitos"
 
 
Arte: Olga Sinclair   

 

publicado por Otília Martel às 22:35

Março 07 2018

 

 

No velho parque deserto e gelado
Duas formas passaram há bocado.

Com os olhos mortos e os lábios moles,
Mal se ouvem, a custo, as suas vozes.

No velho parque deserto e gelado
Dois espectros evocaram o passado.

-Recordas-te do nosso êxtase antigo?
-Por que razão acha que ainda consigo?

-Bate, ao ouvires meu nome, o coração?
Vês ainda a minha alma em sonhos? -Não

-Ah! bons tempos de prazer indizível
Unindo as nossas bocas! -É possível.

-Como era azul, o céu, e grande a esperança!
-Mas é pró negro céu que hoje se lança.

Lá caminhavam plas aveias loucas
E só a noite ouviu as suas bocas.

 

 Paul Verlaine

in, "Festas Galantes,  Poemas Saturnianos e Outros",

Assírio & Alvim

 

publicado por Otília Martel às 22:02

Março 03 2018

 

A Mãe natureza a caprichar _Rui Jorge Pires

 Fotografia de  Rui Jorge Pires em Olhar D'Ouro

 

No murmúrio do vento
nas folhas que vão caindo,
sinto a brisa no olhar dos pássaros
que, por entre a claridade do dia,
vão passando.
No murmúrio do vento
recordo a infância
pássaro de asas abertas sorrindo
ao tempo nas vagas do oceano.
No murmúrio do vento
sou ar vento mar quebrando as vagas
nas areias adormecidas do teu olhar.

 

 

publicado por Otília Martel às 19:05

Sobre Mim...
Outras Eternidades