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Eternamente Menina

Eternamente Menina

08.01.14

Gravitando


Otília Martel

Gravitando

 

Soube de ti devagar, apenas na medida que não sabia que te aproximavas de mim

Não sabia que eras uma força que me impeliria para ti, se calhar apenas para me derrotar

Se calhar apenas para me obrigar a desistir

Era a gravidade, dizias, não a realidade, apenas a estranha vontade da vida

Era apenas a gravidade que me fazia cair, cair, sofrer

Assim sendo, *maldita gravidade que me faz lembrar-te enquanto te tento esquecer

Enquanto me tentas

Enquanto tu és mil, milhões de vezes melhor que tudo, que todas, que a própria vida

*Maldita gravidade que te transforma numa estranha gravidade que me atrai

Que me mata, mas que – estranhamente – me faz viver!

 

A verdade é que me manténs vivo

Nas mentiras

Nas verdades

Nas vontades

Nos momentos

Nos desejos

 

Tu eras, fostes e serás sempre algo de estranho na minha vida

Um momento único, eventualmente inexistente

Uma estranha gravidade que me atrai para ti

Tu que me atrais para o chão de nós

Para o medo de nada

Mas

Mesmo assim

Impossível de evitar

 

Sonhos

Desejos

Seja o que for

Apenas de ti

Gravito, desejo, espero,

Mas tu levas-me ao fundo

Ao chão

Se calhar ao fundo de mim

 

De joelhos te espero

Tu és a gravidade, a vontade, a saudade, o desejo, tudo o que me falta e me atrai

 

Como uma estranha gravidade

Como um estranho amor de nada

Apenas tu

Minha gravidade oblíqua

Minha saudade

Meu sonho e desejo

 

Peço-te: Não me mates assim,

Espera por mim

E pela outra gravidade que nos fará voar livremente pelo espaço afora

 

Sem destino, sem sentido e

Talvez

Sem qualquer gravidade

Sem palavras, sem voz

Sem algo que nos faça cair em qualquer lado que não seja

O abraço de nós

 

Texto de RSS

  

* Pedindo desculpa ao autor, palavra substituída do original  

 

 

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