Eternamente Menina

Janeiro 01 2014

2014

E que em cada um dos doze meses que o constituem, a esperança, a alegria e todas aquelas pequenas coisas que alimentam o dia a dia e que se traduzem em felicidade possam progredir e traduzir-se na concretização de alguns dos vossos sonhos e anseios.  

E para começar o ano em poesia deixo-vos um poema que gosto muito de Carlos Drummond de Andrade porque transmite todo o meu pensamento.

 

Podem ouvi-lo ainda na voz de Luís Gaspar 

Feliz Ano Novo!

Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-la na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

publicado por Otília Martel às 19:00

Dezembro 23 2013
 
 
 

  

Escrevo-te

na penumbra de um dia cinzento

com o mar ao longe bramando

a invernia dos dias.

 

Escrevo-te

no gelo das ruas com gente;

algumas, sorridentes e felizes,  

tristes e mal amadas, muitas outras.

 

Escrevo-te

no pedido sincero do meu coração

para que olhes pelos pobres sem abrigo

pelos velhos sem carinho

pelas crianças sem pão.

 

Escrevo-te

na singeleza das minhas palavras

que são a forma de manifesto

do que vejo e sinto

na impotência de, sozinha, me sentir

David contra Golias.

 

Escrevo-te

ó aclamado Espírito do Natal

para que invertas a consciência

daqueles que, sem conta nem medida,

arruinaram vidas e mentes,

desprotegeram e manipularam tantos outros

a favor dos seus intransigentes cúmplices  

e dá-lhes a honestidade de redimirem os seus erros.

 

Escrevo-te

na confiança inabalável de que, um dia,

ouvirás o coração dos pobres

e o Mundo será melhor.

 

 (19/12/2013)

publicado por Otília Martel às 14:12

Junho 29 2013

Há homens que se vendem por vaidade
Há homens que se vendem por dinheiro
Há até quem se venda um bocadinho
E outros que se vendem por inteiro

Uns crescem comprando a consciência
Outros fabricando um futurozinho
Para uns já perdi a paciência
Para os outros não lhes quero ser nem vizinho
 
Vivo no lado norte extremo do orgulho
Cavalheiro cavaleiro doutra idade
Quando canto, atrevo a elegância
Quando escrevo, atrevo a liberdade

Não ergo as mãos por causas sibilinas
Em curvas encobertas de encoberto;
Grito o gesto e mordo o desespero
Se vejo injustiça, aí, estou perto

Não há meio de deixar de ser assim
Nem me quereria eu doutra maneira
Esmoleres caricaturas, compromissos
Chatos em geral, gente toupeira

Besuntados, comprados, graciosos
Respeitáveis, colunáveis de carreira
Untuosos perfis, lugares manhosos
Deixem-me ser livre assim e sem coleira

E caso a caso dir-vos-ei que penso
Vento limpo soprará minha bandeira
Não me vendo por vida nem por morte
Ninguém me comprará outra carreira

Acomodei-me demais a esta obediência
Guerreiro das palavras sem viseira
Por bússola sigo a minha consciência
E tenho a minha boca por fronteira.

Pedro Barroso, in Palavras Mal Ditas,

págs. 17/18
Lua De Marfim Editora

 

publicado por Otília Martel às 15:45

Junho 06 2013
Victor Bregeda
Victor Bregeda



Este é o momento que o vento

toca as marés e as gaivotas

mergulham nas ondas.

 

Este é o momento de todos os desafios.

De vertiginosamente rasgar o passado,

vencer o medo e aceitar o combate.

 

Este é o momento da rotura,

de alcançar o futuro  prometido

e que nos foi roubado.

 

Este é o momento

de querermos, lutarmos

e vencermos.

 

Este é o momento!

publicado por Otília Martel às 14:59
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Setembro 04 2012


BOA
SEMANA
publicado por Otília Martel às 17:37

Sobre Mim...
Outras Eternidades